Clube Ceticismo
Ceticismo Científico
Autor: Ricardo | Categoria: Ceticismo | Exibições: 22310 Comentários: 31
Avatar
Apelido:
Huxley
Papel:
Usuário
Registrado em:
28/05/2005, 09:44
Comentários: 9241
Tópicos criados: 176
Idioma:
Fernando Silva
"Um consenso científico é baseado nos resultados de pesquisas confiáveis depois de checados e reproduzidos pela comunidade científica.

Um consenso científico não é baseado nas opiniões dos cientistas"

Beach Hermit - Facebook


Em ciência pura, o conceito de “consenso” é dispensável, já que esse último é uma entidade que se refere a concordância de crenças da maioria ou da totalidade de membros de uma coletividade. Um livro clássico da Filosofia da Ciência - O Que é Ciência, Afinal? de Alan Chalmers - traz um argumento interessante que ajuda a entender porque isso é verdade. Ele diz o seguinte. Um dos pilares da ciência é o objetivismo, isto é, o fundamento que diz que a veracidade dos enunciados de observação do mundo real não dependem das crenças dos sujeitos. Uma crença pode ser verdadeira e científica, apesar de nenhuma pessoa no mundo acreditar nela. Uma crença pode ser cientificamente falsa, a despeito de todas as pessoas do mundo acreditarem na veracidade dela.
0
like
0
dislike
0
angry
0
cry
0
wow
0
laugh
0
heart
Data da postagem: 25/07/2025, 20:30
Avatar
Apelido:
Fernando_Silva
Papel:
Moderador
Registrado em:
23/04/2005, 09:40
Comentários: 50020
Tópicos criados: 1299
Idioma:
"Aqueles que questionam as teorias científicas se consideram os verdadeiros céticos, já que estão aplicando o rigor científico.

Eles alegam que querem evidências - só que se recusar a aceitar conclusões satisfatoriamente apoiadas por evidências irrefutáveis não é ceticismo.

É negacionismo"

Dr. Jonathan N. Stea
0
like
0
dislike
0
angry
0
cry
0
wow
0
laugh
0
heart
Data da postagem: 06/08/2025, 16:07
Avatar
Apelido:
Huxley
Papel:
Usuário
Registrado em:
28/05/2005, 09:44
Comentários: 9241
Tópicos criados: 176
Idioma:
Fernando Silva
"Aqueles que questionam as teorias científicas se consideram os verdadeiros céticos, já que estão aplicando o rigor científico.

Eles alegam que querem evidências - só que se recusar a aceitar conclusões satisfatoriamente apoiadas por evidências irrefutáveis não é ceticismo.

É negacionismo"

Dr. Jonathan N. Stea


"Evidência irrefutável" é um conceito que não existe em ciência pela mesma razão que não existe o conceito de "infalibilismo observacional". Recusar-se a aceitar uma evidência pode acontecer porque um resultado experimental pode ser fruto de erro instrumental, interferência externa ou erro numa teoria de fundo. Sobre o último caso, é bom salientar que mesmos os enunciados de observação estão carregados de pressupostos teóricos. Mesmo os dados empíricos dependem de interpretações baseadas em teorias científicas, que, POR DEFINIÇÃO, não são irrefutáveis.

E mesmo que uma teoria científica fosse apoiada por algumas "evidências irrefutáveis" (o que pressupõe a hipótese fictícia de infalibilismo observacional), algumas evidências confiáveis no sentido oposto poderiam arruiná-la. Por exemplo, antes da descoberta do continente australiano, acreditava-se que todos os cisnes eram brancos ou parcialmente brancos. Milhares de observações de cisnes brancos não foram suficientes para sustentar indefinidamente a aceitação da Teoria dos Cisnes Brancos, uma vez que na Austrália existem cisnes completamente negros. Outro exemplo. A partir da observação da órbita anômala de Mercúrio no século XIX, cientistas tentaram explicá-la com base na Teoria da Gravitação Universal de Newton, propondo a existência de um planeta hipotético chamado Vulcano. No entanto, com o desenvolvimento da Teoria da Relatividade Geral por Albert Einstein em 1915, demonstrou-se que a anomalia era resultado da curvatura do espaço-tempo causada pelo Sol. Assim, passou-se a reconhecer que a teoria de Newton não é universalmente válida e que a hipótese de Vulcano era incorreta.
0
like
0
dislike
0
angry
0
cry
0
wow
0
laugh
0
heart
Data da postagem: 06/08/2025, 19:20
Avatar
Apelido:
Fernando_Silva
Papel:
Moderador
Registrado em:
23/04/2005, 09:40
Comentários: 50020
Tópicos criados: 1299
Idioma:
Segundo Bertrand Russel:

Experts também erram. E às vezes erram mesmo quando todos estão de acordo. Porém:

- Se os experts concordam sobre um assunto, os leigos deveriam aceitar sua opinião.

- Se não há unanimidade entre os experts, os leigos não deveriam concordar com nenhum dos lados.

- Se os experts concordam sobre ainda não haver uma resposta, os leigos deveriam se abster de afirmar algo.

Quanto mais insegura está uma pessoa sobre aquilo em que ela acredita, quanto menos argumentos racionais a favor de sua opinião tiver, com mais paixão e violência a defenderá.

Isto se aplica claramente à religião e à política.

— Bertrand Russell, Sceptical Essays (1928), Introduction: On the Value of Scepticism, p. 12.
0
like
0
dislike
0
angry
0
cry
0
wow
0
laugh
0
heart
Data da postagem: 08/09/2025, 09:44
Avatar
Apelido:
Huxley
Papel:
Usuário
Registrado em:
28/05/2005, 09:44
Comentários: 9241
Tópicos criados: 176
Idioma:
Fernando Silva
Segundo Bertrand Russel:

Experts também erram. E às vezes erram mesmo quando todos estão de acordo. Porém:

- Se os experts concordam sobre um assunto, os leigos deveriam aceitar sua opinião.

- Se não há unanimidade entre os experts, os leigos não deveriam concordar com nenhum dos lados.

- Se os experts concordam sobre ainda não haver uma resposta, os leigos deveriam se abster de afirmar algo.

Quanto mais insegura está uma pessoa sobre aquilo em que ela acredita, quanto menos argumentos racionais a favor de sua opinião tiver, com mais paixão e violência a defenderá.

Isto se aplica claramente à religião e à política.

— Bertrand Russell, Sceptical Essays (1928), Introduction: On the Value of Scepticism, p. 12.


Se os leigos devem aceitar a opinião dos experts quando estes concordam sobre um assunto, então o argumento ad hominem deveria ser banido da lista de falácias dos famosos guias de pensamento cético disponíveis na web. Se há casos em que se foca na pessoa em vez de focar no argumento — e esses são os tipos de casos mais comuns — então “desacreditar a pessoa para desacreditar suas ideias” é equivalente a “acreditar na pessoa para acreditar em suas ideias”.

Ou se acredita na validade da ideia de que o argumento ad hominem é normalmente uma falácia, ou se acredita na validade do argumento de apelo aos experts. Acreditar nas duas ideias ao mesmo tempo não é possível. (Pessoalmente, fico com a segunda perspectiva.)

A pergunta essencial não é nem se o leigo deve aceitar a opinião dos experts quando eles concordam sobre um assunto. A pergunta importante é: como o leigo sabe que o suposto expert é, de fato, um expert? Essa pergunta só pode ser respondida por meio de algum tipo de argumentação direta. Uma vez que essa resposta tenha sido obtida, então também seria possível criar uma hierarquia de experts — e, nesse caso, algumas opiniões de experts teriam mais peso do que outras.
0
like
0
dislike
0
angry
0
cry
0
wow
0
laugh
0
heart
Data da postagem: 08/09/2025, 19:51
Avatar
Apelido:
Fernando_Silva
Papel:
Moderador
Registrado em:
23/04/2005, 09:40
Comentários: 50020
Tópicos criados: 1299
Idioma:
O problema com a frase "É apenas uma teoria". Ou com a expressão "teoria da conspiração".

0
like
0
dislike
0
angry
0
cry
0
wow
0
laugh
0
heart
Data da postagem: 15/10/2025, 10:08
Avatar
Apelido:
Cinzu
Papel:
Usuário
Registrado em:
30/07/2014, 15:10
Comentários: 3193
Tópicos criados: 62
Idioma:
Huxley
Fernando Silva
Segundo Bertrand Russel:

Experts também erram. E às vezes erram mesmo quando todos estão de acordo. Porém:

- Se os experts concordam sobre um assunto, os leigos deveriam aceitar sua opinião.

- Se não há unanimidade entre os experts, os leigos não deveriam concordar com nenhum dos lados.

- Se os experts concordam sobre ainda não haver uma resposta, os leigos deveriam se abster de afirmar algo.

Quanto mais insegura está uma pessoa sobre aquilo em que ela acredita, quanto menos argumentos racionais a favor de sua opinião tiver, com mais paixão e violência a defenderá.

Isto se aplica claramente à religião e à política.

— Bertrand Russell, Sceptical Essays (1928), Introduction: On the Value of Scepticism, p. 12.


Se os leigos devem aceitar a opinião dos experts quando estes concordam sobre um assunto, então o argumento ad hominem deveria ser banido da lista de falácias dos famosos guias de pensamento cético disponíveis na web. Se há casos em que se foca na pessoa em vez de focar no argumento — e esses são os tipos de casos mais comuns — então “desacreditar a pessoa para desacreditar suas ideias” é equivalente a “acreditar na pessoa para acreditar em suas ideias”.

Ou se acredita na validade da ideia de que o argumento ad hominem é normalmente uma falácia, ou se acredita na validade do argumento de apelo aos experts. Acreditar nas duas ideias ao mesmo tempo não é possível. (Pessoalmente, fico com a segunda perspectiva.)

A pergunta essencial não é nem se o leigo deve aceitar a opinião dos experts quando eles concordam sobre um assunto. A pergunta importante é: como o leigo sabe que o suposto expert é, de fato, um expert? Essa pergunta só pode ser respondida por meio de algum tipo de argumentação direta. Uma vez que essa resposta tenha sido obtida, então também seria possível criar uma hierarquia de experts — e, nesse caso, algumas opiniões de experts teriam mais peso do que outras.


Neste caso, a falácia está mais para apelo à autoridade do que ad hominem.

Porém, há diferença entre fazer apelo à autoridade, de citar referências.

Falácia: "Isso é verdade porque o especialista disse..."

Argumento válido: "Isso tem mais chances de ser verdade do que as suposições concorrentes porque vai ao encontro do que a comunidade científica especializada no assunto investigou e acumulou evidências convergentes..."

Se o assunto é controverso e portanto não é consenso entre os especialistas da área, não há como saber qual grupo de especialistas está correto. Citar um ou outro apenas para corroborar a nossa opinião pode acabar se tornando cherry picking. O mais sensato neste caso é se abster ou estudar o assunto a fundo, examinando profundamente as principais evidências e argumentação de ambos os lados (ou de um terceiro lado, se houver).
0
like
0
dislike
0
angry
0
cry
0
wow
0
laugh
0
heart
Data da postagem: 15/10/2025, 11:58
Avatar
Apelido:
Huxley
Papel:
Usuário
Registrado em:
28/05/2005, 09:44
Comentários: 9241
Tópicos criados: 176
Idioma:
Cinzu
Huxley
Fernando Silva
Segundo Bertrand Russel:

Experts também erram. E às vezes erram mesmo quando todos estão de acordo. Porém:

- Se os experts concordam sobre um assunto, os leigos deveriam aceitar sua opinião.

- Se não há unanimidade entre os experts, os leigos não deveriam concordar com nenhum dos lados.

- Se os experts concordam sobre ainda não haver uma resposta, os leigos deveriam se abster de afirmar algo.

Quanto mais insegura está uma pessoa sobre aquilo em que ela acredita, quanto menos argumentos racionais a favor de sua opinião tiver, com mais paixão e violência a defenderá.

Isto se aplica claramente à religião e à política.

— Bertrand Russell, Sceptical Essays (1928), Introduction: On the Value of Scepticism, p. 12.


Se os leigos devem aceitar a opinião dos experts quando estes concordam sobre um assunto, então o argumento ad hominem deveria ser banido da lista de falácias dos famosos guias de pensamento cético disponíveis na web. Se há casos em que se foca na pessoa em vez de focar no argumento — e esses são os tipos de casos mais comuns — então “desacreditar a pessoa para desacreditar suas ideias” é equivalente a “acreditar na pessoa para acreditar em suas ideias”.

Ou se acredita na validade da ideia de que o argumento ad hominem é normalmente uma falácia, ou se acredita na validade do argumento de apelo aos experts. Acreditar nas duas ideias ao mesmo tempo não é possível. (Pessoalmente, fico com a segunda perspectiva.)

A pergunta essencial não é nem se o leigo deve aceitar a opinião dos experts quando eles concordam sobre um assunto. A pergunta importante é: como o leigo sabe que o suposto expert é, de fato, um expert? Essa pergunta só pode ser respondida por meio de algum tipo de argumentação direta. Uma vez que essa resposta tenha sido obtida, então também seria possível criar uma hierarquia de experts — e, nesse caso, algumas opiniões de experts teriam mais peso do que outras.


Neste caso, a falácia está mais para apelo à autoridade do que ad hominem.

Porém, há diferença entre fazer apelo à autoridade, de citar referências.

Falácia: "Isso é verdade porque o especialista disse..."

Argumento válido: "Isso tem mais chances de ser verdade do que as suposições concorrentes porque vai ao encontro do que a comunidade científica especializada no assunto investigou e acumulou evidências convergentes..."

Se o assunto é controverso e portanto não é consenso entre os especialistas da área, não há como saber qual grupo de especialistas está correto. Citar um ou outro apenas para corroborar a nossa opinião pode acabar se tornando cherry picking. O mais sensato neste caso é se abster ou estudar o assunto a fundo, examinando profundamente as principais evidências e argumentação de ambos os lados (ou de um terceiro lado, se houver).


Isso não responde à questão primária: como o leigo pode saber se a suposta comunidade de experts em consenso, em determinado domínio, é de fato uma comunidade de experts? Eles são experts porque são cientistas, e são cientistas porque são experts? Como se rompe essa circularidade? Deve haver um fundamento que sustente a credibilidade dessa comunidade.
0
like
0
dislike
0
angry
0
cry
0
wow
0
laugh
0
heart
Data da postagem: 15/10/2025, 15:46
Avatar
Apelido:
Fernando_Silva
Papel:
Moderador
Registrado em:
23/04/2005, 09:40
Comentários: 50020
Tópicos criados: 1299
Idioma:
Huxley
CinzuArgumento válido: "Isso tem mais chances de ser verdade do que as suposições concorrentes porque vai ao encontro do que a comunidade científica especializada no assunto investigou e acumulou evidências convergentes..."

Se o assunto é controverso e portanto não é consenso entre os especialistas da área, não há como saber qual grupo de especialistas está correto. Citar um ou outro apenas para corroborar a nossa opinião pode acabar se tornando cherry picking. O mais sensato neste caso é se abster ou estudar o assunto a fundo, examinando profundamente as principais evidências e argumentação de ambos os lados (ou de um terceiro lado, se houver).

Isso acima não responde a uma questão primária: como o leigo sabe que a suposta comunidade de experts em consenso em determinado domínio é, de fato, uma comunidade de experts? São experts porque são cientistas e são cientistas porque são experts? Como é que se sai dessa circularidade? Tem que existir algum fundamento para a afirmação de credibilidade de uma comunidade.

Não há como saber com certeza. Além do quê, o fato de um cientista ser expert num assunto não impede que fale besteira sobre outro.

Se o assunto for importante e o leigo precisar de uma resposta para tomar uma decisão, resta-lhe pesquisar por indicações de que os cientistas citados são reconhecidos como experts pela comunidade de cientistas e que, pelo contrário, não há indícios de que costumem falar besteira. É o mesmo que fazemos quando confiamos em um médico e no tratamento que ele nos receita.

Será uma aposta, sim, mas, pelo menos, não é uma aposta no escuro.

Se o assunto não for importante, mas apenas uma curiosidade pessoal do leigo, ele que decida se confia ou não.

Nos dois casos, ele deve aceitar que há mais chances de que estejam certos aqueles que estudaram aquele assunto a fundo do que ele, que não entende nada.
0
like
0
dislike
0
angry
0
cry
0
wow
0
laugh
0
heart
Data da postagem: 15/10/2025, 15:58
Avatar
Apelido:
Cinzu
Papel:
Usuário
Registrado em:
30/07/2014, 15:10
Comentários: 3193
Tópicos criados: 62
Idioma:
O que define um especialista?

É aquele que melhor domina um determinado assunto.

Quando procuramos o serviço de um especialista, suponhamos que o profissional que se capacitou e pratica aquela atividade no dia a dia, é o especialista daquele assunto.

Se eu sinto dor de dente, vou supor que a pessoa que fornecerá o melhor diagnóstico e tratamento será o dentista, e não o borracheiro.

É claro que os especialistas também erram. Para confirmar se o que ele está dizendo faz sentido, podemos confrontar com a opinião de outros profissionais da área.
0
like
0
dislike
0
angry
0
cry
0
wow
0
laugh
0
heart
Data da postagem: 15/10/2025, 20:44