
Clube Ceticismo
Estado de Israel
Autor: JJ_JJ | Categoria: Laicismo, Política e Economia | Exibições: 179554 Comentários: 178

AgnosceticoHuxleyAgnoscetico
[spoiler]Huxley[/spoiler]AgnosceticoHuxley
O The Intercept cobra do lobismo sionista, seja lá o que diabo isso significa. Não vejo cobrarem do lobismo pró-califado antiexistência de Israel do Hamas-Irã-outros países árabes. Até parece que ele é um grupo galinha morta em termos de influência. Aliás, a Al Jazeera, fonte de informação do The Intercept, é mídia estatal do Catar, que é um dos países que apoiam o terrorismo pró-califado e antiexistência de Israel. Muito lindo e imparcial atacar extremistas só de um dos lados.
E as mídias pró-sionismo (que não são poucas e são as mainstream) também não seriam confiáveis, já que muita coisa pode ser forjada e omitida pra ser usada como propaganda.
Talvez nem nas agências de fact-check dê pra confiar. Como aqui ninguém ta presenciando nem verificando por si o que ta acontecendo. E o fato de a Intercept ter judeus já diminui o argumento de ser um mídia apenas com pessoas não-judias (que "não sente na pele" e não ta no "lugar de fala") mesmo que receba colaboração da Al-Jazeera (que tu citou informação deles como referência que era favorável a imagem de Israel).
Mas que algumas coisa mencionadas pelo Intercept daria pra conferir, como o Sleep Giants do sionismo nos EUA, o tal "Canary mission", que fica listando os que se opõe ao sionismo:
https://canarymission.org
As mídias pró-sionismo são vigiadas pelo sistema de freios e contrapesos da democracia ocidental. Os Estados Unidos, o país fora de Israel com maior número de judeus e lobistas pró-sionismo, têm uma legislação de liberdade de expressão radical e têm leis de responsabilidade civil contra calúnias/acusações falsas (sobre o último caso, perguntem a Fox News ou ao Alex Jones). Já o Catar não passa de um califado que fornece abrigo para os líderes do Hamas. Não é exagero dizer que a mídia estatal deles é análoga ao jornal do Partido Comunista de Cuba. Não há espaço de poder midiático alternativo para contradizê-los ou desmenti-los no próprio país deles.
[Off_topic]
Alex Jones foi condenado a pagar quase 1 bilhão.
E os EUA tem liberdade de expressão até a página dois. Coisas como "Canary Mission" devem ta cuidando de manter essa 'liberdade de expressão' como liberdade de PRESSÃO.
[/Off_topic]
Debiloides podem fazer propaganda de grupo terrorista palestino dizendo que “responsabilizam inteiramente o regime israelense por toda a violência em curso"*, mas o grupo ideologicamente oposto não pode fazer campanha de boicote contra isso; é só o Sleeping Giants que pode usar esse recurso?
* https://www.terra.com.br/noticias/mundo/a-polemica-carta-pro-palestina-de-alunos-de-harvard,2fb3298e3322e716dfbcdbd19ed0d4fbfy9edtmx.html
Comparar cultura de cancelamento com assassinato de jornalistas é dar uma mãozinha aos criminosos hediondos dos atentados a liberdade de expressão. Um coisa seria um jornalista não publicar sobre o Canary Mission com medo de sanção informal. Outra coisa muito diferente é ele não publicar nada (ou publicar algo) por medo de ser assassinado, como acontece nos países árabes islamofascistas (lembrar do caso do jornalista saudita esquartejado recentemente por falar mal do príncipe). Fonte confiável da Al Jazeera? Hahahahahaha...
Isso aqui seria democracia e liberdade de expressão em Israel?
Esse canal aqui se chama "Islam Channel". Será que isso invalidaria o conteúdo do vídeo? Se fosse duma mídia pró-sionista teria mais credibilidade, seria mais verossímil por ser denominada mais 'democrática'?
Moment Israeli police attack anti-Zionist Jews in Jerusalem neighbourhood
E é bom lembrar que o estado de Israel se estabeleceu usando terrorismo:Lehi
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lehi
Folke Bernadotte
https://pt.wikipedia.org/wiki/Folke_Bernadotte
Em 20 de junho de 1948, o conde foi escolhido por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU para ser o mediador entre as partes em conflito árabe-israelense de 1947-1948,[3] fazer cessar as hostilidades e supervisionar a aplicação da partição territorial da Palestina Mandatária. Foi o primeiro mediador oficial da história da organização. Todavia, pouco depois do início da missão, em setembro do mesmo ano, Bernadotte foi assassinado em Jerusalém, pelo grupo sionista Lehi. A decisão de matá-lo foi tomada por Natan Yellin-Mor, Yisrael Eldad e Yitzhak Shamir, que mais tarde tornar-se-ia primeiro-ministro de Israel.
"Há tendência de acusar de antisemitismo quem é antiossionista": entenda
Lá vem chery picking de novo. Você quer comparar a BOSTA TOTALITÁRIA do Catar com a ampla e descentralizada mídia independente de Israel e de outros países do Ocidente? Você consegue ler sobre os crimes de guerra do governo central ou forças armadas de Israel, Estados Unidos, Reino Unido, etc. no Ocidente, mas não consegue ler sobre os crimes de apoio ao terrorismo do governo do Catar através da Al Jazeera. Está tão difícil de entender isso?
O que é que essa bosta da mídia estatal do Catar tem a relatar de “supersecreto” que não dependa da frágil credibilidade dela?
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Data da postagem: 08/11/2023, 01:11

Só vi isso na UOL até agora. Não achei ainda mais notícias:
Tel Aviv, em Israel, fazem protesto contra primeiro-ministro Netanyahu
https://www.youtube.com/watch?v=CbldjZxcCQA
Tel Aviv, em Israel, fazem protesto contra primeiro-ministro Netanyahu
https://www.youtube.com/watch?v=CbldjZxcCQA
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Data da postagem: 02/12/2023, 21:16

Agnoscetico
Só vi isso na UOL até agora. Não achei ainda mais notícias:
Tel Aviv, em Israel, fazem protesto contra primeiro-ministro Netanyahu
https://www.youtube.com/watch?v=CbldjZxcCQA
Os israelenses (exceto os conservadores e ultradireitistas) já vêm protestando contra ele faz tempo.
Agora mesmo, com o fiasco dos serviços secretos, que já sabiam há 3 anos do ataque do Hamas e nada fizeram, só vai piorar.
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Data da postagem: 03/12/2023, 08:15

As origens do ódio da new-left radical e dos socialistas contra Israel:
Fonte: https://twitter.com/rodrigodasilva/status/1719115616378823068
Rodrigo da Silva
@rodrigodasilva
Por que a esquerda é anti-Israel?
A esquerda política definitivamente não gosta de Israel.
Mundo afora o fenômeno é o mesmo.
Nas últimas semanas, protestos em diferentes cidades foram organizados no Brasil com o apoio de partidos políticos de esquerda (como o PSOL e o PCdoB) e movimentos de esquerda (como o MST).
Mesmo os Estados Unidos, historicamente ligados a Israel, testemunham essa tendência.
Três dias após os atentados terroristas do Hamas, a organização Socialistas Democráticos da América (DSA) promoveu uma manifestação pró-Palestina em Nova York, onde os participantes gritavam “a resistência é justificada quando as pessoas estão ocupadas”, com direito à exibição do símbolo da suástica.
Na Espanha, uma manifestação anti-Israel organizada pelos partidos de esquerda Podemos e Sumar levou 10 mil pessoas às ruas de Madri.
Na Inglaterra, nos últimos dois finais de semana, protestos anti-Israel levaram 100 mil pessoas às ruas de Londres. As manifestações estão umbilicalmente ligadas ao Partido Trabalhista britânico (em 2019, 42% dos judeus britânicos disseram que “considerariam seriamente” deixar o país caso o líder trabalhista da época, Jeremy Corbyn, virasse primeiro-ministro).
Na Austrália, manifestações em Sydney não ecoaram apenas gritos de “Palestina Livre”, mas de “fodam-se os judeus”.
Protestos parecidos aconteceram em diferentes pedaços do mundo nas últimas semanas, de Joanesburgo a Toronto. Sempre com o protagonismo de movimentos e partidos políticos de esquerda.
Por quê?
O que conecta a esquerda a uma identidade anti-Israel é uma mistura de diferentes elementos.
Essa não é uma relação nova, fabricada nas redes sociais. Nem é tão óbvia quanto parece.
Em primeiro lugar, é preciso contexto histórico: a União Soviética desempenhou um papel fundamental no apoio à criação do Estado de Israel. Durante o debate sobre o Plano da ONU para a partilha da Palestina, em 1947, a União Soviética apoiou o sionismo nas Nações Unidas. Na verdade, Moscou se pronunciou a favor de um Estado Judeu muito antes dos Estados Unidos – antes de qualquer potência.
Um ano antes da criação do Estado de Israel, o então embaixador soviético na ONU, Andrei Gromyko, expressou forte apoio a Israel, destacando a conexão histórica do povo judeu com o território, reconhecendo as aspirações do povo judeu após o Holocausto e defendendo que o mundo tinha uma dívida com eles.
O protagonismo russo foi tamanho nessa direção que a União Soviética foi o primeiro país a reconhecer oficialmente Israel, dois dias após a sua declaração de independência, em maio de 1948.
Na Guerra Árabe-Israelense de 1948, Israel recebeu rifles, morteiros e até aviões de combate da Tchecoslováquia, com permissão e consentimento soviético. Essas armas desempenharam um papel indispensável para a vitória israelense.
Como escreveu o historiador Paul Johnson, Joseph Stalin está “entre os pais fundadores de Israel”.
Os próprios israelenses não negam isso. Como disse Abba Eban, o primeiro embaixador de Israel na ONU, sem o voto e as armas fornecidas pelo bloco soviético, “não poderíamos ter conseguido, nem diplomaticamente, nem militarmente”.
Por que os soviéticos escolheram o lado judeu? Por pragmatismo. Stalin via a criação de Israel como uma maneira de reduzir a influência britânica no Oriente Médio. Na propaganda soviética – veja a ironia – apoiar Israel era enfrentar o imperialismo ocidental no Oriente Médio.
Mas pelo mesmo pragmatismo, poucos anos depois, os soviéticos mudaram de lado – levando todo campo político junto, mais uma vez.
A relação entre a União Soviética e Israel se deteriorou no instante em que Israel expressou o desejo de migrar judeus soviéticos para Israel, atitude amplamente rejeitada pela União Soviética, lar de uma das maiores comunidades judaicas do mundo.
A partir desse episódio, a União Soviética passou a expressar apoio e oferecer treinamento militar, armamento e assistência financeira à causa palestina.
Após a criação do Estado de Israel, os judeus soviéticos enfrentaram forte oposição de Moscou para a emigração. Judeus que solicitavam permissão para emigrar para Israel muitas vezes encaravam discriminação, perda de emprego e perseguição (com direito, em alguns casos, à prisão). A maioria teve seus vistos de saída negados e passou a ser rotulada como refusenik. Eles também enfrentavam vigilância constante da KGB.
Para o Kremlin, permitir que um número tão grande de cidadãos deixasse o país era visto como um sinal de fraqueza e instabilidade. Além disso, muitos judeus soviéticos ocupavam posições em áreas sensíveis, como pesquisa científica, defesa e indústria. O Kremlin estava preocupado que esses indivíduos levassem conhecimentos e habilidades valiosas para o exterior.
Como num passe de mágica, a causa palestina passou a ser vista pelos líderes do bloco comunista como uma luta de libertação nacional contra o imperialismo (um imperialismo que havia sido sustentado diplomaticamente e militarmente pela própria União Soviética).
Os interesses russos, estritamente pragmáticos, locais, moldaram a concepção ideológica, moral, de todo um campo político no Ocidente – como em tantas outras questões.
Ainda hoje, dos 193 países membros da ONU, 28 não reconhecem Israel (15%). Desses, apenas 3 não têm maioria muçulmana – todas elas ditaduras de esquerda: Cuba, Venezuela e Coreia do Norte.
Embora nem todos os críticos de Israel sejam radicais de esquerda, as posições anti-Israel viraram uma espécie de marcador de identidade política para a chamada esquerda “anti-imperialista”.
A narrativa anti-Israel, ainda hoje, considera o país uma força “imperialista-colonialista” que ocupa a Palestina.
A rejeição a Israel é um fenômeno muito além do repúdio aos assentamentos israelenses na Cisjordânia ou à política bélica de Benjamin Netanyahu, tantas vezes condenada por diferentes campos políticos no Ocidente: a esquerda radical rejeita a legitimidade do Estado Judeu e o direito dos judeus à autodeterminação nacional. Para ela, um Estado Judeu nunca deveria ter sido estabelecido.
O grupo chama essa identidade de antissionismo: não apenas a oposição a diferentes características negativas da política (e do governo) israelense, mas a negação do direito de Israel existir sob qualquer pretexto naquele território.
É difícil medir a linha que divide o antissionismo do antissemitismo. Embora alguns estudos apontem que há uma correlação entre entrevistados que não reconhecem a legitimidade de Israel e aqueles que concordam com declarações e teorias conspiratórias antissemitas, diferentes organizações de direitos humanos entendem que uma coisa é diferente da outra.
Aqueles que acreditam que antissionismo é um traço de antissemitismo costumam reclamar que o Estado Judeu é julgado de forma mais severa que os demais. Mais do que isso: dizem que negar a relação milenar dos judeus com o território de Israel é negar a própria existência dos judeus na história.
E esse conflito ganhou novas camadas com as redes sociais.
Hoje, o movimento anti-Israel também é influenciado pelo identitarismo, que enxerga a história – independente do país de origem – através de um conceito de raça simplório e maniqueísta que deriva da experiência racial americana.
Para a esquerda ocidental, os israelenses são “brancos” e os palestinos são “pessoas de cor”. Nesse sentido, os judeus – vítimas do maior crime racial do século 20 – não podem ser vítimas de racismo, visto que são “brancos” e “privilegiados”; mas enquanto “brancos” e “privilegiados” são perfeitamente capazes de explorar “pessoas de cor”, “desprivilegiadas”.
Numa reviravolta, os judeus são agora acusados dos mesmos crimes que eles próprios sofreram.
Em 34 anos, entre 1987 e 2021, 12 mil palestinos morreram no conflito Israel-Palestina, o equivalente a 0,2% do total de judeus mortos no Holocausto. No conflito Israel-Palestina, por diferentes motivos, a violência é indiscutivelmente uma desgraça maior para o povo palestino – mas uma desgraça consideravelmente distante da experiência nazista.
A oposição explícita a Israel, nos últimos dias, também virou, para muitas figuras, um apoio velado e cínico ao Hamas.
Desde 2007, o Hamas governa a Faixa de Gaza, onde criou um Estado de partido único que esmaga a oposição, proíbe as relações entre pessoas do mesmo sexo, reprime as mulheres e defende abertamente o assassinato dos judeus, rejeitando categoricamente a primazia dos direitos humanos. Mas as vítimas dessa teocracia não recebem qualquer solidariedade de manifestações políticas ocidentais organizadas por grupos que juram protegê-las.
Parece incoerente, mas é perfeitamente justificável. Não se engane com os discursos: se os russos (e os chineses) decidirem mudar de lado nessa disputa – por qualquer motivação mesquinha, cotidiana e pragmática – a esquerda radical irá junto, adaptando suas motivações à propaganda da ocasião.
Não será a primeira vez.
Fonte: https://twitter.com/rodrigodasilva/status/1719115616378823068
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Data da postagem: 04/12/2023, 22:48

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Tem muita gente de direita anti-Israel, mesmo que por outros motivos. Apenas como um exemplo tem o caso do tal Conde, que discorda de uma certa parte direita QUE idolatra de Israel.
Então por que pegar só no pé dos esquerda, como se fosse um maniqueísmo simplista esquerda x direita? Eu não sou nem de esquerda nem direita e não apoio Israel.
E não sei qual benefício brasileiro tem em, defender uma potência militar e econômica que se baseia no vitimismo eterno do Holocausto e dos pogroms pra ganhar apoio público na base da apelação emocional.
Huxley
As origens do ódio da new-left radical e dos socialistas contra Israel:
Rodrigo da Silva
@rodrigodasilva
Por que a esquerda é anti-Israel?
A esquerda política definitivamente não gosta de Israel.
Mundo afora o fenômeno é o mesmo.
Nas últimas semanas, protestos em diferentes cidades foram organizados no Brasil com o apoio de partidos políticos de esquerda (como o PSOL e o PCdoB) e movimentos de esquerda (como o MST).
Mesmo os Estados Unidos, historicamente ligados a Israel, testemunham essa tendência.
Três dias após os atentados terroristas do Hamas, a organização Socialistas Democráticos da América (DSA) promoveu uma manifestação pró-Palestina em Nova York, onde os participantes gritavam “a resistência é justificada quando as pessoas estão ocupadas”, com direito à exibição do símbolo da suástica.
Na Espanha, uma manifestação anti-Israel organizada pelos partidos de esquerda Podemos e Sumar levou 10 mil pessoas às ruas de Madri.
Na Inglaterra, nos últimos dois finais de semana, protestos anti-Israel levaram 100 mil pessoas às ruas de Londres. As manifestações estão umbilicalmente ligadas ao Partido Trabalhista britânico (em 2019, 42% dos judeus britânicos disseram que “considerariam seriamente” deixar o país caso o líder trabalhista da época, Jeremy Corbyn, virasse primeiro-ministro).
Na Austrália, manifestações em Sydney não ecoaram apenas gritos de “Palestina Livre”, mas de “fodam-se os judeus”.
Protestos parecidos aconteceram em diferentes pedaços do mundo nas últimas semanas, de Joanesburgo a Toronto. Sempre com o protagonismo de movimentos e partidos políticos de esquerda.
Por quê?
O que conecta a esquerda a uma identidade anti-Israel é uma mistura de diferentes elementos.
Essa não é uma relação nova, fabricada nas redes sociais. Nem é tão óbvia quanto parece.
Em primeiro lugar, é preciso contexto histórico: a União Soviética desempenhou um papel fundamental no apoio à criação do Estado de Israel. Durante o debate sobre o Plano da ONU para a partilha da Palestina, em 1947, a União Soviética apoiou o sionismo nas Nações Unidas. Na verdade, Moscou se pronunciou a favor de um Estado Judeu muito antes dos Estados Unidos – antes de qualquer potência.
Um ano antes da criação do Estado de Israel, o então embaixador soviético na ONU, Andrei Gromyko, expressou forte apoio a Israel, destacando a conexão histórica do povo judeu com o território, reconhecendo as aspirações do povo judeu após o Holocausto e defendendo que o mundo tinha uma dívida com eles.
O protagonismo russo foi tamanho nessa direção que a União Soviética foi o primeiro país a reconhecer oficialmente Israel, dois dias após a sua declaração de independência, em maio de 1948.
Na Guerra Árabe-Israelense de 1948, Israel recebeu rifles, morteiros e até aviões de combate da Tchecoslováquia, com permissão e consentimento soviético. Essas armas desempenharam um papel indispensável para a vitória israelense.
Como escreveu o historiador Paul Johnson, Joseph Stalin está “entre os pais fundadores de Israel”.
Os próprios israelenses não negam isso. Como disse Abba Eban, o primeiro embaixador de Israel na ONU, sem o voto e as armas fornecidas pelo bloco soviético, “não poderíamos ter conseguido, nem diplomaticamente, nem militarmente”.
Por que os soviéticos escolheram o lado judeu? Por pragmatismo. Stalin via a criação de Israel como uma maneira de reduzir a influência britânica no Oriente Médio. Na propaganda soviética – veja a ironia – apoiar Israel era enfrentar o imperialismo ocidental no Oriente Médio.
Mas pelo mesmo pragmatismo, poucos anos depois, os soviéticos mudaram de lado – levando todo campo político junto, mais uma vez.
A relação entre a União Soviética e Israel se deteriorou no instante em que Israel expressou o desejo de migrar judeus soviéticos para Israel, atitude amplamente rejeitada pela União Soviética, lar de uma das maiores comunidades judaicas do mundo.
A partir desse episódio, a União Soviética passou a expressar apoio e oferecer treinamento militar, armamento e assistência financeira à causa palestina.
Após a criação do Estado de Israel, os judeus soviéticos enfrentaram forte oposição de Moscou para a emigração. Judeus que solicitavam permissão para emigrar para Israel muitas vezes encaravam discriminação, perda de emprego e perseguição (com direito, em alguns casos, à prisão). A maioria teve seus vistos de saída negados e passou a ser rotulada como refusenik. Eles também enfrentavam vigilância constante da KGB.
Para o Kremlin, permitir que um número tão grande de cidadãos deixasse o país era visto como um sinal de fraqueza e instabilidade. Além disso, muitos judeus soviéticos ocupavam posições em áreas sensíveis, como pesquisa científica, defesa e indústria. O Kremlin estava preocupado que esses indivíduos levassem conhecimentos e habilidades valiosas para o exterior.
Como num passe de mágica, a causa palestina passou a ser vista pelos líderes do bloco comunista como uma luta de libertação nacional contra o imperialismo (um imperialismo que havia sido sustentado diplomaticamente e militarmente pela própria União Soviética).
Os interesses russos, estritamente pragmáticos, locais, moldaram a concepção ideológica, moral, de todo um campo político no Ocidente – como em tantas outras questões.
Ainda hoje, dos 193 países membros da ONU, 28 não reconhecem Israel (15%). Desses, apenas 3 não têm maioria muçulmana – todas elas ditaduras de esquerda: Cuba, Venezuela e Coreia do Norte.
Embora nem todos os críticos de Israel sejam radicais de esquerda, as posições anti-Israel viraram uma espécie de marcador de identidade política para a chamada esquerda “anti-imperialista”.
A narrativa anti-Israel, ainda hoje, considera o país uma força “imperialista-colonialista” que ocupa a Palestina.
A rejeição a Israel é um fenômeno muito além do repúdio aos assentamentos israelenses na Cisjordânia ou à política bélica de Benjamin Netanyahu, tantas vezes condenada por diferentes campos políticos no Ocidente: a esquerda radical rejeita a legitimidade do Estado Judeu e o direito dos judeus à autodeterminação nacional. Para ela, um Estado Judeu nunca deveria ter sido estabelecido.
O grupo chama essa identidade de antissionismo: não apenas a oposição a diferentes características negativas da política (e do governo) israelense, mas a negação do direito de Israel existir sob qualquer pretexto naquele território.
É difícil medir a linha que divide o antissionismo do antissemitismo. Embora alguns estudos apontem que há uma correlação entre entrevistados que não reconhecem a legitimidade de Israel e aqueles que concordam com declarações e teorias conspiratórias antissemitas, diferentes organizações de direitos humanos entendem que uma coisa é diferente da outra.
Aqueles que acreditam que antissionismo é um traço de antissemitismo costumam reclamar que o Estado Judeu é julgado de forma mais severa que os demais. Mais do que isso: dizem que negar a relação milenar dos judeus com o território de Israel é negar a própria existência dos judeus na história.
E esse conflito ganhou novas camadas com as redes sociais.
Hoje, o movimento anti-Israel também é influenciado pelo identitarismo, que enxerga a história – independente do país de origem – através de um conceito de raça simplório e maniqueísta que deriva da experiência racial americana.
Para a esquerda ocidental, os israelenses são “brancos” e os palestinos são “pessoas de cor”. Nesse sentido, os judeus – vítimas do maior crime racial do século 20 – não podem ser vítimas de racismo, visto que são “brancos” e “privilegiados”; mas enquanto “brancos” e “privilegiados” são perfeitamente capazes de explorar “pessoas de cor”, “desprivilegiadas”.
Numa reviravolta, os judeus são agora acusados dos mesmos crimes que eles próprios sofreram.
Em 34 anos, entre 1987 e 2021, 12 mil palestinos morreram no conflito Israel-Palestina, o equivalente a 0,2% do total de judeus mortos no Holocausto. No conflito Israel-Palestina, por diferentes motivos, a violência é indiscutivelmente uma desgraça maior para o povo palestino – mas uma desgraça consideravelmente distante da experiência nazista.
A oposição explícita a Israel, nos últimos dias, também virou, para muitas figuras, um apoio velado e cínico ao Hamas.
Desde 2007, o Hamas governa a Faixa de Gaza, onde criou um Estado de partido único que esmaga a oposição, proíbe as relações entre pessoas do mesmo sexo, reprime as mulheres e defende abertamente o assassinato dos judeus, rejeitando categoricamente a primazia dos direitos humanos. Mas as vítimas dessa teocracia não recebem qualquer solidariedade de manifestações políticas ocidentais organizadas por grupos que juram protegê-las.
Parece incoerente, mas é perfeitamente justificável. Não se engane com os discursos: se os russos (e os chineses) decidirem mudar de lado nessa disputa – por qualquer motivação mesquinha, cotidiana e pragmática – a esquerda radical irá junto, adaptando suas motivações à propaganda da ocasião.
Não será a primeira vez.
Fonte: https://twitter.com/rodrigodasilva/status/1719115616378823068
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Tem muita gente de direita anti-Israel, mesmo que por outros motivos. Apenas como um exemplo tem o caso do tal Conde, que discorda de uma certa parte direita QUE idolatra de Israel.
Então por que pegar só no pé dos esquerda, como se fosse um maniqueísmo simplista esquerda x direita? Eu não sou nem de esquerda nem direita e não apoio Israel.
E não sei qual benefício brasileiro tem em, defender uma potência militar e econômica que se baseia no vitimismo eterno do Holocausto e dos pogroms pra ganhar apoio público na base da apelação emocional.
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Data da postagem: 05/12/2023, 17:05
Antigamente, antes da ideologia woke, a esquerda era a favor do oprimido e a direita do opressor. Eram contra a exploração por coronelismo ou senhor feudal, eram contra a exploração pelo capitalismo, eram contra ditadores (Nos países do leste europeu, os opositores do regime eram a esquerda de lá e os comunistas eram a direita de lá), eram contra colonialistas, imperialistas e neoliberalismo. Muitos desses posicionamentos permanecem ainda nos dias de hoje quando o assunto é conflitos internacionais e geopolíticos. O inimigo é países ricos e imperialistas. Por isso, quando o assunto é geopolítica a esquerda não-globalista tem razão.
Antecipando respostas:
Uma coisa é o direito natural do território e o longo tempo que passou (usucapião) desde a ocupação. Outra coisa foi a sujeira do método de ocupação, rejeitado pela população local, teve uso de forças armadas e expulsão de gente, além de contar com aliados de piores índoles (anglo-americanos). Foi o método que foi opressor. Se fosse um método limpo, construiriam cidades em outros países para abrigar os árabes expulsos.
Antecipando respostas:
Uma coisa é o direito natural do território e o longo tempo que passou (usucapião) desde a ocupação. Outra coisa foi a sujeira do método de ocupação, rejeitado pela população local, teve uso de forças armadas e expulsão de gente, além de contar com aliados de piores índoles (anglo-americanos). Foi o método que foi opressor. Se fosse um método limpo, construiriam cidades em outros países para abrigar os árabes expulsos.
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Data da postagem: 05/12/2023, 18:57

Agnoscetico
Tem muita gente de direita anti-Israel, mesmo que por outros motivos. Apenas como um exemplo tem o caso do tal Conde, que discorda de uma certa parte direita QUE idolatra de Israel.
Então por que pegar só no pé dos esquerda, como se fosse um maniqueísmo simplista esquerda x direita? Eu não sou nem de esquerda nem direita e não apoio Israel.
E não sei qual benefício brasileiro tem em, defender uma potência militar e econômica que se baseia no vitimismo eterno do Holocausto e dos pogroms pra ganhar apoio público na base da apelação emocional.
Uma pessoa deve defender uma coisa que acha justo pela justiça em si e não por causa de “benefício brasileiro” ou qualquer outro tipo de benefício nacionalista. Ética não tem nacionalidade. Defender uma entidade só pode se for a Palestina, agora se for Israel não pode, né? Isso é a lógica de ver tudo como geopolítica, como se o mundo estivesse polarizado em dois grandes jogadores e não uma coleção de pessoas com interesses diversos.
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Data da postagem: 05/12/2023, 20:45

Antigamente, antes da ideologia woke, a esquerda era a favor do oprimido e a direita do opressor. Eram contra a exploração por coronelismo ou senhor feudal, eram contra a exploração pelo capitalismo, eram contra ditadores (Nos países do leste europeu, os opositores do regime eram a esquerda de lá e os comunistas eram a direita de lá), eram contra colonialistas, imperialistas e neoliberalismo. Muitos desses posicionamentos permanecem ainda nos dias de hoje quando o assunto é conflitos internacionais e geopolíticos. O inimigo é países ricos e imperialistas. Por isso, quando o assunto é geopolítica a esquerda não-globalista tem razão.
A “esquerda não globalista”, que hipocritamente se diz anti-imperialista, idolatra um regime de um país que eles classificam como “rico” e que é imperialista há muito tempo. No século XX e XXI, isso incluiu atuação militar na Finlândia, Hungria, Tchecolosváquia, Afeganistão, Irã, Polônia, Chechênia, Geórgia, Crimeia, Ucrânia, China, Coreia, Japão e Vietnã. “Somente”.
Huxley
Mais uma fake news - ou melhor, fake history - do ídolo dos idiotas úteis:
https://actualidad.rt.com/actualidad/479590-putin-colonizadores-parte-mundo
Na arenga dessa terça feira, em que defendeu Trump, dizendo que o meliante é perseguido por Biden, o “historiador” Putin nos informou que a Rússia nunca foi colonizadora.
👇precisamos desenhar?
(Caio Blinder)
Fonte: https://twitter.com/caioblinder/status/1701592740260159528
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Data da postagem: 05/12/2023, 21:06

Antecipando respostas:
Uma coisa é o direito natural do território e o longo tempo que passou (usucapião) desde a ocupação. Outra coisa foi a sujeira do método de ocupação, rejeitado pela população local, teve uso de forças armadas e expulsão de gente, além de contar com aliados de piores índoles (anglo-americanos). Foi o método que foi opressor. Se fosse um método limpo, construiriam cidades em outros países para abrigar os árabes expulsos.
Quantas vezes eu vou ter que repetir que os judeus compraram propriedades privadas, e não terrenos estatais? Não existe terreno público em propriedade privada, mesmo que essa última seja grande. Por exemplo, a maior fazenda do Brasil (Fazenda Roncador) não é terreno do governo.
E judeus não expulsaram palestinos nativos de suas residências palestinas, assim como imigrantes italianos não expulsaram brasileiros nativos de suas residências brasileiras nos século 19 e 20. A ideia de que os palestinos foram expulsos de suas propriedades privadas é falsa.
Judeus sempre viveram ali nos últimos milhares de anos, ainda que de forma desigual ao longo do tempo. Também aconteceu um movimento migratório que se intensificou a partir da segunda metade do século XIX e atingiu o ápice na época do auge do pogrom antijudeu. Em 1947, a proporção de palestinos para judeus lá já era inferior a proporção de 2 para 1. No ano em que ocorreu o esboço do plano da partilha da ONU, já não havia mais como não tentar criar uma separação geográfica para lidar com os conflitos entre as duas etnias. E o plano da ONU tinha certa razoabilidade.
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Data da postagem: 05/12/2023, 21:12

Huxley
Uma pessoa deve defender uma coisa que acha justo pela justiça em si e não por causa de “benefício brasileiro” ou qualquer outro tipo de benefício nacionalista. Ética não tem nacionalidade.
Esse mesmo argumento pode ser usado por pró-palestinos.
Huxley
Defender uma entidade só pode se for a Palestina, agora se for Israel não pode, né? Isso é a lógica de ver tudo como geopolítica, como se o mundo estivesse polarizado em dois grandes jogadores e não uma coleção de pessoas com interesses diversos.
Onde afirmei isso? E, até onde sei, Israel tem maior parte daquela região com população menor que a de palestinos. E tem os casos de colonos israelenses com expansionismo em terras palestinas. Esperar que não tem reação só sendo alienado.
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Data da postagem: 05/12/2023, 21:50