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Feminismo e ideologia de gênero
Autor: Tutu | Categoria: História, Sociedade, Comportamento e Filosofia | Exibições: 1293630 Comentários: 638
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Tal como muitos ativistas da New Left, Richard Dawkins não sabe diferenciar sexo de gênero.

Quando a ideologia nega a ciência..

sexo = gênero



Vamos ver mais à frente se tem alguma justificativa para essa identidade.

Tutu

Mas o que vale no mundo físico e na sociedade é o gênero do corpo e não o gênero da mente.


Isso é uma baboseira equivalente a dizer: “o corporal é real, enquanto o mental é uma espécie de entidade separada ou não física”. Um estado mental consciente é um estado em que o cérebro se encontra. O cérebro faz parte do corpo e do mundo físico. E os hormônios fetais influenciam a identidade de gênero principalmente ao atuar no desenvolvimento e na diferenciação estrutural do cérebro durante a gestação.

O fato de uma identidade de gênero ter uma dimensão social ou institucional não implica que ela deixe de ser um fenômeno natural. Seus estados mentais constitutivos são realizados biologicamente no cérebro, assim como outros estados conscientes. Afinal, nem tudo que pertence ao mundo físico precisa ser um objeto material isolado: o centro de gravidade, por exemplo, é uma abstração, mas nem por isso deixa de ser uma questão inteiramente física. O fato de algo depender de uma determinada estrutura ou de uma forma de descrição não o torna, por isso, “não físico”.


Tutu
Governo que força o uso do gênero da mente em vez do do corpo é o pior tipo de tirano que existe, superando na polícia do véu do talibã.


Isso não tem nada a ver com provar a sua identidade “sexo = gênero”. Eu estou falando de fatos, não de moral ou de filosofia política. Eu estou falando sobre juízos de fatos, não sobre juízos de valor.
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Tal como muitos ativistas da New Left, Richard Dawkins não sabe diferenciar sexo de gênero.

Quando a ideologia nega a ciência...

sexo = gênero

Se quiser usar os termos "sexo mental" e "gênero mental", terá mais credibilidade por ser muito mais preciso.

Mas o que vale no mundo físico e na sociedade é o gênero do corpo e não o gênero da mente.

Governo que força o uso do gênero da mente em vez do do corpo é o pior tipo de tirano que existe, superando na polícia do véu do talibã.

Scientific American: Estudo preliminar sugere que sexo e gênero são representados de formas diferentes no cérebro.

Medical News Today: As pessoas usam os termos "sexo" e gênero" People often use the terms “sex” and “gender” como sinônimos, mas isto é incorreto. Sexo refere-se às diferenças físicas biológicas, e gênero é como a pessoa identifica-se (NB: artigo escrito por um neurocientista, e revisado por um médico.)

Então, sim, é ideologia negando a ciência. Mas não é a ideologia dos que veem sexo e gênero como coisas distintas; é a ideologia daqueles que querem fingir que é a mesma coisa. Assim como fingem que a gente não é um bando de primatas, ou que a Terra tem mais de seis mil anos.

Poderia-se usar esses termos (francamente ridículos) de "sexo mental"? Bom, pode-se até chamar de waka-waka ou wug or mafagafo. Só que ao invés de clarificar, está obscurecendo uma distinção importante.

Não que seja a primeira, já que o próprio conceito de gênero esconde uma dicotomia: "como a sociedade vê um indivíduo" e "como o indivíduo vê a si mesmo". Assim como o sexo é genótipo e fenótipo, e a correlação entre ambos não é tão simples assim.

E quanto ao Dawkins (do qual todo mundo tá falando), eis o artigo em questão, co-escrito por ele. Ele foca apenas no sexo, e alega que a expressão "sex assigned at birth" ("sexo atribuído durante nascimento") não deve ser usada porque [nas minhas palavras] sexo é de origem genética e não algo a ser "atribuído". Mas notem que em nenhum momento ele alega que sexo e gênero são a mesma coisa ou coisas diferentes, ele só tá focando num deles. Lembrando que o cara é zoólogo e biólogo evolutivo, então claro que vai focar nos genes em detrimento a todo o resto.
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E quanto ao Dawkins (do qual todo mundo tá falando), eis o artigo em questão, co-escrito por ele. Ele foca apenas no sexo, e alega que a expressão "sex assigned at birth" ("sexo atribuído durante nascimento") não deve ser usada porque [nas minhas palavras] sexo é de origem genética e não algo a ser "atribuído". Mas notem que em nenhum momento ele alega que sexo e gênero são a mesma coisa ou coisas diferentes, ele só tá focando num deles. Lembrando que o cara é zoólogo e biólogo evolutivo, então claro que vai focar nos genes em detrimento a todo o resto.


Está implícito no raciocínio de Dawkins que ele faz uma confusão entre sexo e gênero: “Both politics and personal feelings don’t impinge scientific truths and that needs to be clearly understood.” Se fosse verdade que sentimentos e convenções humanas não têm qualquer relevância para a constituição dos objetos estudados pelas ciências sociais, então dinheiro, um importante objeto de estudo dessas ciências, sequer existiria enquanto fenômeno social. É porque existe uma convenção social sobre o significado de uma cédula verdinha com o rosto de George Washington estampado que muitos fenômenos econômicos e sociais podem ser explicados.

Da mesma forma, discutir o fenômeno transgênero falando apenas de órgãos reprodutores e cromossomos sexuais significa ignorar que o gênero, diferentemente do sexo, também envolve dimensões psicológicas, sociais e institucionais. Ou seja, ele estaria tratando uma questão que envolve fatos sociais e institucionais como se fosse exclusivamente uma questão de biologia reprodutiva.
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E quanto ao Dawkins (do qual todo mundo tá falando), eis o artigo em questão, co-escrito por ele. Ele foca apenas no sexo, e alega que a expressão "sex assigned at birth" ("sexo atribuído durante nascimento") não deve ser usada porque [nas minhas palavras] sexo é de origem genética e não algo a ser "atribuído". Mas notem que em nenhum momento ele alega que sexo e gênero são a mesma coisa ou coisas diferentes, ele só tá focando num deles. Lembrando que o cara é zoólogo e biólogo evolutivo, então claro que vai focar nos genes em detrimento a todo o resto.


Está implícito no raciocínio de Dawkins que ele faz uma confusão entre sexo e gênero: “Both politics and personal feelings don’t impinge scientific truths and that needs to be clearly understood.” Se fosse verdade que sentimentos e convenções humanas não têm qualquer relevância para a constituição dos objetos estudados pelas ciências sociais, então dinheiro, um importante objeto de estudo dessas ciências, sequer existiria enquanto fenômeno social. É porque existe uma convenção social sobre o significado de uma cédula verdinha com o rosto de George Washington estampado que muitos fenômenos econômicos e sociais podem ser explicados.

Da mesma forma, discutir o fenômeno transgênero falando apenas de órgãos reprodutores e cromossomos sexuais significa ignorar que o gênero, diferentemente do sexo, também envolve dimensões psicológicas, sociais e institucionais. Ou seja, ele estaria tratando uma questão que envolve fatos sociais e institucionais como se fosse exclusivamente uma questão de biologia reprodutiva.
Não acho que a parte citada realmente implique que o Dawkins veja gênero e sexo como a mesma coisa, e sim que veja gênero como irrelevante. Tipo, como se ele dissesse "biologia base é o que interessa, o resto é nheco-nheco". O que sim, já é problemático por si só (é epistemicamente falso e moralmente ruim), mas acho que a gente precisa bater na besteira que ele falou, não na nossa interpretação dela.

Inclusive, falando de um dos problemas: só no fiofó dele que sexo é binário e só gene. Um sociólogo esquecendo da diferença entre fenótipo e genótipo vá lá, mas ele é biólogo poxa. E não dá nem para fingir que fenótipo é irrelevante, nem que mapeia binariamente à existência/ausência de cromossomo Y. Inclusive, eis um artigo interessante sobre o tópico, que vi há uns tempos, alegando que sexo não é nem um "contínuo", e sim multidimensional (i.e. vários contínuos). (Traduzo caso alguém aqui peça.)
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E quanto ao Dawkins (do qual todo mundo tá falando), eis o artigo em questão, co-escrito por ele. Ele foca apenas no sexo, e alega que a expressão "sex assigned at birth" ("sexo atribuído durante nascimento") não deve ser usada porque [nas minhas palavras] sexo é de origem genética e não algo a ser "atribuído". Mas notem que em nenhum momento ele alega que sexo e gênero são a mesma coisa ou coisas diferentes, ele só tá focando num deles. Lembrando que o cara é zoólogo e biólogo evolutivo, então claro que vai focar nos genes em detrimento a todo o resto.


Está implícito no raciocínio de Dawkins que ele faz uma confusão entre sexo e gênero: “Both politics and personal feelings don’t impinge scientific truths and that needs to be clearly understood.” Se fosse verdade que sentimentos e convenções humanas não têm qualquer relevância para a constituição dos objetos estudados pelas ciências sociais, então dinheiro, um importante objeto de estudo dessas ciências, sequer existiria enquanto fenômeno social. É porque existe uma convenção social sobre o significado de uma cédula verdinha com o rosto de George Washington estampado que muitos fenômenos econômicos e sociais podem ser explicados.

Da mesma forma, discutir o fenômeno transgênero falando apenas de órgãos reprodutores e cromossomos sexuais significa ignorar que o gênero, diferentemente do sexo, também envolve dimensões psicológicas, sociais e institucionais. Ou seja, ele estaria tratando uma questão que envolve fatos sociais e institucionais como se fosse exclusivamente uma questão de biologia reprodutiva.
Não acho que a parte citada realmente implique que o Dawkins veja gênero e sexo como a mesma coisa, e sim que veja gênero como irrelevante. Tipo, como se ele dissesse "biologia base é o que interessa, o resto é nheco-nheco". O que sim, já é problemático por si só (é epistemicamente falso e moralmente ruim), mas acho que a gente precisa bater na besteira que ele falou, não na nossa interpretação dela.

Inclusive, falando de um dos problemas: só no fiofó dele que sexo é binário e só gene. Um sociólogo esquecendo da diferença entre fenótipo e genótipo vá lá, mas ele é biólogo poxa. E não dá nem para fingir que fenótipo é irrelevante, nem que mapeia binariamente à existência/ausência de cromossomo Y. Inclusive, eis um artigo interessante sobre o tópico, que vi há uns tempos, alegando que sexo não é nem um "contínuo", e sim multidimensional (i.e. vários contínuos). (Traduzo caso alguém aqui peça.)


Se Richard Dawkins é biólogo e foca apenas em biologia, por que ele debate, por exemplo, o direito de uso de vestiários femininos? Isso não diz respeito exclusivamente à biologia (dawkinsiana). Uma pessoa com síndrome de insensibilidade completa aos andrógenos pode frequentar um vestiário feminino sem causar alvoroço, embora produza gametas masculinos — o que, pelos critérios de Dawkins, a classifica como sendo do sexo masculino. Manter um status quo que gere menos conflitos sociais não violaria os direitos das mulheres baseados no sexo?
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Se o cara é branco, não importa seu DNA majoritariamente de negro: ele será tratado como branco.

Se o cara é XY, mas tem corpo de mulher, será tratado como mulher.

O fenótipo prevalece.
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Scientific American: Estudo preliminar sugere que sexo e gênero são representados de formas diferentes no cérebro.

Medical News Today: As pessoas usam os termos "sexo" e gênero" People often use the terms “sex” and “gender” como sinônimos, mas isto é incorreto. Sexo refere-se às diferenças físicas biológicas, e gênero é como a pessoa identifica-se (NB: artigo escrito por um neurocientista, e revisado por um médico.)

Então, sim, é ideologia negando a ciência. Mas não é a ideologia dos que veem sexo e gênero como coisas distintas; é a ideologia daqueles que querem fingir que é a mesma coisa. Assim como fingem que a gente não é um bando de primatas, ou que a Terra tem mais de seis mil anos.

Poderia-se usar esses termos (francamente ridículos) de "sexo mental"? Bom, pode-se até chamar de waka-waka ou wug or mafagafo. Só que ao invés de clarificar, está obscurecendo uma distinção importante.

Vamos falar com calma.

Primeiro, existe o gênero mental?

Ok, não vou discutir.

Segundo, vamos para o fator linguístico. As palavras "sexo" e gênero" sempre foram sinônimos nesse contexto. De repente, resolveram pegar uma das duas e dar significado diferente. O ideal seria inventar outro termo para não usar um termo existente com significado consolidado, porque cria muita confusão.

Terceiro, o que isso importa na prática e na sociedade? O que importa na prática é o gênero do corpo.

Mulher pode engravidar, mulher é dispensada de serviço militar, mulheres e crianças tem prioridade em resgate, mulher menstrua, mulher tem doenças próprias como câncer de mama e útero, etc. Todas essas características dependem do gênero do corpo. Por isso, é o gênero do corpo que importa para a gestão pública e o sistema de saúde. Um transexual não tem essas características.

Para a sociedade, o que ela vê também é o gênero do corpo. Quando vemos um transexual, não vemos uma mulher e sim um homem maquiado com roupa de mulher e com voz tentando imitar uma mulher. Uma mulher não verá o transexual como uma igual e ficará incomodada com a presença dele no banheiro feminino, e vai excluí-lo de grupos femininos. Um homem nem vai pensar em paquerar o transexual.

Vale lembrar que há casos de transexual cometendo estupros de crianças. Eles usaram o órgão do corpo que o gênero da mente não reconheceria.

Quarto, falando de preconceito, um transexual sempre causará repulsa às pessoas porque ele sempre estará no vale da estranheza:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Vale_da_estranheza

Um liberal ou woke pode até tratá-lo muito bem e até idolatrá-lo, mas jamais vai conseguir ser amigo dele por causa dessa sensação. Eles vão querer terceirizar essa função fazendo o Estado forçar alguém a fazer o que eles mesmos não querem.

Por isso, é melhor para o transexual aceitar o gênero do corpo do que forçar os outros a fingir que o gênero do corpo dele é outro.

Não que seja a primeira, já que o próprio conceito de gênero esconde uma dicotomia: "como a sociedade vê um indivíduo" e "como o indivíduo vê a si mesmo". Assim como o sexo é genótipo e fenótipo, e a correlação entre ambos não é tão simples assim.

Quinto, ter o gênero mental diferente do do corpo é doença?

É uma polêmica, mas a resposta é sim. Deveria viver como um deficiente se adaptando à sociedade e não o oposto.
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Quinto, ter o gênero mental diferente do do corpo é doença?

É uma polêmica, mas a resposta é sim.


Não, não é doença. A patologia é Disforia de Gênero. Mas existem transgêneros que não têm Disforia de Gênero.

Tutu

Deveria viver como um deficiente se adaptando à sociedade e não o oposto.


Deficientes físicos não apenas se adaptam à sociedade. A sociedade se adapta a eles e até criam leis próprias para eles (no Brasil, por exemplo, as rampas de acessibilidade são obrigatórias em edifícios públicos e privados destinados ao uso coletivo ou comercial que apresentem desníveis no piso ou múltiplos pavimentos e não possuam outro meio mecânico de transporte vertical). Os únicos locais onde não existem (ou não existiram) coisas desse tipo são países de bárbaros incivilizados de cultura inferior, como a Alemanha Nazista.
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Segundo, vamos para o fator linguístico. As palavras "sexo" e gênero" sempre foram sinônimos nesse contexto. De repente, resolveram pegar uma das duas e dar significado diferente.


Mesmo que duas palavras tenham sido usadas como sinônimas durante determinado período, isso não impede que uma delas adquira posteriormente um sentido técnico diferente.

Esse é um fenômeno linguístico absolutamente normal. Termos comuns frequentemente recebem significados especializados em determinadas disciplinas.

Por exemplo, “trabalho”, “energia”, “força” e “massa” possuem significados cotidianos e significados técnicos na física. Não faria sentido argumentar que, porque energia tinha determinado uso na linguagem comum, os físicos não poderiam atribuir-lhe um significado técnico mais preciso.

Portanto, seria necessário demonstrar algo mais forte: que a distinção contemporânea entre sexo e gênero é conceitualmente incoerente ou linguisticamente ilegítima. A mera existência histórica de sobreposição entre os termos não demonstra isso.
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Terceiro, o que isso importa na prática e na sociedade? O que importa na prática é o gênero do corpo.

Mulher pode engravidar, mulher é dispensada de serviço militar, mulheres e crianças tem prioridade em resgate, mulher menstrua, mulher tem doenças próprias como câncer de mama e útero, etc. Todas essas características dependem do gênero do corpo. Por isso, é o gênero do corpo que importa para a gestão pública e o sistema de saúde. Um transexual não tem essas características.



Muitos transgêneros MF que sofreram intervenção hormonal e cirurgia na adolescência não tem algumas dessas características que você se referiu. Esses transgêneros MF não têm força e resistência de homem, então jamais deveriam ir para a linha de frente em uma guerra, por exemplo. Então, seu “critério de demarcação infalível” de “gênero de corpo” é bastante falho.
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