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O Panteísmo é uma forma de ateísmo?
Autor: Gigaview | Categoria: Ateísmo e Agnosticismo | Exibições: 62672 Comentários: 25

montalvãoGigaviewmontalvãosdelarezaNão há e nunca houve (pelo que sei) uma religião panteísta. Será que a ideia do panteísmo é algo que só agrada a uma elite intelectualizada e não o povão?
O hinduísmo é panteísta (em parte); o budismo também...
Não...não são panteístas. O hinduísmo é panenteísta.
Antes de comentar a alegação de que o hinduísmo é panenteísta, o que diz do budismo, é o quê?
Está explicado abaixo:
"At the outset, let me state that Buddhism is not atheistic as the term is ordinarily understood. It has certainly a God, the highest reality and truth, through which and in which this universe exists. However, the followers of Buddhism usually avoid the term God, for it savors so much of Christianity, whose spirit is not always exactly in accord with the Buddhist interpretation of religious experience. Again, Buddhism is not pantheistic in the sense that it identifies the universe with God. On the other hand, the Buddhist God is absolute and transcendent; this world, being merely its manifestation, is necessarily fragmental and imperfect. To define more exactly the Buddhist notion of the highest being, it may be convenient to borrow the term very happily coined by a modern German scholar, "panentheism," according to which God is πᾶν καὶ ἕν (all and one) and more than the totality of existence."
http://www.sacred-texts.com/bud/zfa/zfa04.htm
Sobre o Hinduísmo:
"Although early Vedic Hinduism is largely considered to be polytheistic, seeds of panentheism can be identified within the text. One example involves the myth of Purusha found in Book 10 of Rig Veda.[5] Purusha, the cosmic being, is sacrificed by the gods in order to supply from his body the material by which all things in the world can arise. Thus, the ground of all material objects lies in this cosmic self. While this can be interpreted as pantheistic, the fact that a larger body of gods committed the sacrifice of this cosmic man suggests that there is a higher divinity beyond the universe in which humanity exists. Further, this godly existence of Purusha seems to pre-exist before the actual physical world, suggesting that the divinity of God is in some way a transcendent precursor to the world that God will later sustain. With this consideration, panentheistic themes can be identified in early Vedic Hinduism.
Later on, with the development of the concept of Brahman (the supreme cosmic spirit which is regarded to be eternal, genderless, omnipotent, omniscient, and omnipresent) in the Upanishads, panentheistic notions became more frequent among Hindu thinkers. Although it is commonly described as subsuming all being, Brahman is also described as the embodiment of non-being as well. While such a description is more than somewhat nebulous, it could be interpreted to mean that Brahman also transcends the physical universe and represents a realm inconceivable to humanity, beyond the physical realm of "being." Thus, interpreted in this fashion, the conception of Brahman becomes decidedly panentheistic. Even the deeply personal view of divinity propounded in the Bhagavad Gita, the most popular religious text in Hinduism, contains elements of panentheism. In the Bhagavad Gita personal and loving elements of God are unraveled for the reader as the divine Lord Krishna pilots young warrior Arjuna's chariot into battle. Panentheism seems evident within this formulation of God as well, in various lines of the poem such as Krishna's delineation of his immense heavenly prowess: "With a single fragment of Myself I pervade and support this entire universe."[6] This seems to suggest that God (Krishna) contains the universe in which he is currently present and more, a definite variation of panentheism.
It is safe to say that Hinduism in general, while being panentheistic as is clear from above, has a pantheistic overlapping between the world and some part of the divine."
https://www.newworldencyclopedia.org/entry/Panentheism
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Data da postagem: 07/03/2020, 18:00

Essa percepção de que é "em parte panteísta" talvez tenha relação com os dois tipos de panenteísmo, conforme explicado abaixo:
"There are two types of panentheism: 1) the type of panentheism that is partially pantheistic, claiming that the entirety of the universe is contained within God as a part of God, who is, of course, more than the universe that is only a part of God; and 2) the kind of panentheism that sees the ontological distinction between the world and God, when saying that both are immanent in each other. The second one may not be totally alien in the Judeo-Christian tradition".
https://www.newworldencyclopedia.org/entry/Panentheism
"There are two types of panentheism: 1) the type of panentheism that is partially pantheistic, claiming that the entirety of the universe is contained within God as a part of God, who is, of course, more than the universe that is only a part of God; and 2) the kind of panentheism that sees the ontological distinction between the world and God, when saying that both are immanent in each other. The second one may not be totally alien in the Judeo-Christian tradition".
https://www.newworldencyclopedia.org/entry/Panentheism
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Data da postagem: 07/03/2020, 18:00

JungFOh Gigaview; vê se para de trazer textos em inglês... As vezes dá até vontade de traduzir, mas bate uma preguiça.
JungFAs religiões sempre me pareceram algo criado para contemporizar situações sociais e políticas.
O Oriente, particularmente na India, nota-se a importância das crenças religiosas para a acomodação das massas a um sistema claramente voltado para a manutenção do status quo de uma elite que define os humildes como Parias, ou seja, o Indiano pobre, das classes mais baixas.
O Panteísmo não é conceito próprio, nem do Induísmo e nem do Budismo, mas com as leis do Dharma produz-se um efeito consolador e moderador para as grandes massas miseráveis.
Já no ocidente o cristianismo, mais exatamente o Catolicismo, adotou uma prática absolutamente convincente. Associou-se ao poder político de reis e imperadores ao mesmo tempo em que os atemorizava com a ira divina, o inferno ou a excomunhão.
Deu no que deu: as Cruzadas e a Inquisição.
Concluiria dizendo que as religiões, criadas com o objetivo de mostrar ao homem o caminho para Deus e uma vida gloriosa após a morte tornou-se instrumento de dominação e subcultura, ao inibir o épico desafio do pensamento humano sintetizado na busca das Verdades Teológicas através da dialética/filosofia.
Como pior consequência dessa estratégia pobre e claramente desonesta, foi induzir o homem culto e inteligente à visceral desconfiança, e este passou a enxergar as religiões como antro de superstições e ambiente para a exploração dos ingênuos e mais simples.
Lançadas, todas, na vala comum, as pessoas não observam que movimentos renovadores surgem com forte apelo à espiritualização e à confraternização dos vários seguimentos da sociedade, mais sensíveis e alteritários.
MontalvãoGigaview escreveu:montalvão escreveu:Gigaview escreveu:montalvão escreveu:sdelareza escreveu:
Não há e nunca houve (pelo que sei) uma religião panteísta. Será que a ideia do panteísmo é algo que só agrada a uma elite intelectualizada e não o povão?
O hinduísmo é panteísta (em parte); o budismo também...
Não...não são panteístas. O hinduísmo é panenteísta.
Antes de comentar a alegação de que o hinduísmo é panenteísta, o que diz do budismo, é o quê?
Está explicado abaixo:
"At the outset, let me state that Buddhism is not atheistic as the term is ordinarily understood. It has certainly a God, the highest reality and truth, through which and in which this universe exists. However, the followers of Buddhism usually avoid the term God, for it savors so much of Christianity, whose spirit is not always exactly in accord with the Buddhist interpretation of religious experience. Again, Buddhism is not pantheistic in the sense that it identifies the universe with God. On the other hand, the Buddhist God is absolute and transcendent; this world, being merely its manifestation, is necessarily fragmental and imperfect. To define more exactly the Buddhist notion of the highest being, it may be convenient to borrow the term very happily coined by a modern German scholar, "panentheism," according to which God is πᾶν καὶ ἕν (all and one) and more than the totality of existence."
http://www.sacred-texts.com/bud/zfa/zfa04.htm
Sobre o Hinduísmo:
[...]
“It is safe to say that Hinduism in general, while being panentheistic as is clear from above, has a pantheistic overlapping between the world and some part of the divine."
https://www.newworldencyclopedia.org/entry/Panentheism
Muito bem, vamos ver, então.
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Primeiramente, um dado que me parece importante considerar: as filosofias religiosas orientais são bem mais difíceis de serem compreendidas que as ocidentais, que não são exatamente fáceis de serem entendidas... digo isso, não como expert no assunto, que não sou, mas por ser fato... assim penso, pois.
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Segundamente, os termos “panteísmo” e “panenteísmo” são concepções modernas, ulteriores ao hinduísmo e budismo. São idealizações filosóficas nas quais enquadra-se certos pensamentos religiosos cujos propositores nunca pensaram nelas.
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Terceiramente, ao meu ver, fica claro que a bela reflexão do SOYEN SHAKU expressa uma das várias leituras possíveis dos escritos budistas e hinduístas. O próprio Soyen deixa isso claro ao utilizar certas expressões no texto, ex,:
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“Embora isso possa ser interpretado como panteísta, o fato de um corpo maior de deuses. O sacrifício desse homem cósmico sugere que existe uma divindade mais alta além do universo em que a humanidade existe.”
“Posteriormente, com o desenvolvimento do conceito de Brahman (o espírito cósmico supremo que é considerado eterno, sem gênero, onipotente, onisciente e onipresente) nos Upanishads, as noções panenteístas se tornaram mais frequentes entre os pensadores hindus.”
“Conquanto seja comumente descrito como subsumindo todo ser, Brahman também é descrito como a personificação do não ser.”
“Embora essa descrição seja mais do que um tanto nebulosa, poderia ser interpretada como significando que Brahman também transcende o universo físico e representa um reino inconcebível para a humanidade, além do reino físico do ‘ser.”
“Assim, interpretada dessa maneira, a concepção de Brahman se torna decididamente panenteísta.”
“Até a visão profundamente pessoal da divindade proposta no Bhagavad Gita, o texto religioso mais popular do hinduísmo, contém elementos do panenteísmo. No Bhagavad Gita, elementos pessoais e amorosos de Deus são revelados para o leitor quando o divino Senhor Krishna pilota a carruagem do jovem guerreiro Arjuna para a batalha. O panenteísmo parece evidente também nesta formulação de Deus, em várias linhas do poema, como o delineamento de Krishna de sua imensa proeza celestial: "Com um único fragmento de Mim, permeio e apoio todo esse universo". [6] Isso parece sugerir que Deus (Krishna) contém o universo no qual ele está atualmente presente e mais, uma variação definida do panenteísmo.”
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Acredito, tanto quanto creio, que o caminho certo para a economia passe por entender como esses pensamentos religiosos concebem o transcendente na sua maior expressão, ou seja, o que chamamos “Deus”. Se for, como a mim parece que seja, ao menos predominantemente, que o divino se identifique com a totalidade das coisas existentes e para onde tudo caminha, então estaremos falando de panteísmo, se esse totalidade possuir um “algo a mais”, aí será panenteísmo.
Por fim, ressalto que o panenteísmo é ideia recente, concebida no início do séc. XIX, por Christian Krause, que a propôs com o fito de conciliar o dualismo com o monismo.
Montalvãosdelareza escreveu:
Não há e nunca houve (pelo que sei) uma religião panteísta. Será que a ideia do panteísmo é algo que só agrada a uma elite intelectualizada e não o povão?
Eu também achava que não, supunha que panteísmo fosse meramente uma proposição filosófica...
Qual nada, há sim, uma religião que não é só panteísta, mas que cultua o panteísmo...
https://www.pantheism.net/pt/panteismo-cientifico-uma-religiao-empirica-para-o-terceiro-milenio/
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Data da postagem: 07/03/2020, 18:08

montalvãoPrimeiramente, um dado que me parece importante considerar: as filosofias religiosas orientais são bem mais difíceis de serem compreendidas que as ocidentais, que não são exatamente fáceis de serem entendidas... digo isso, não como expert no assunto, que não sou, mas por ser fato... assim penso, pois.
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Acredito, tanto quanto creio, que o caminho certo para a economia passe por entender como esses pensamentos religiosos concebem o transcendente na sua maior expressão, ou seja, o que chamamos “Deus”.
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Por fim, ressalto que o panenteísmo é ideia recente, concebida no início do séc. XIX, por Christian Krause, que a propôs com o fito de conciliar o dualismo com o monismo.
Parece que o hinduísmo e o budismo são casos para serem enquadrados numa concepção mais precisa e específica, ainda inexistente, a ser definida pelos filósofos.
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Data da postagem: 07/03/2020, 18:09

A discussão sobre espiritismo que estava se desenvolvendo aqui foi transferida para o tópico "Espiritismo - Temas genéricos.
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Data da postagem: 07/03/2020, 22:31
Alguém que crê que o universo é Deus necessariamente crê que o universo tem atributos divinos; no mínimo o universo seria uma entidade consciente, que cria e mantém a si mesma. A crença nisso é completamente oposta à descrença do ateísmo.
Por isso não vejo o panteísmo como uma forma de ateísmo, mesmo que a descrença em um deus separado do universo seja a mesma.
Por isso não vejo o panteísmo como uma forma de ateísmo, mesmo que a descrença em um deus separado do universo seja a mesma.
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Data da postagem: 18/03/2020, 18:47

eremita
Alguém que crê que o universo é Deus necessariamente crê que o universo tem atributos divinos; no mínimo o universo seria uma entidade consciente, que cria e mantém a si mesma. A crença nisso é completamente oposta à descrença do ateísmo.
Por isso não vejo o panteísmo como uma forma de ateísmo, mesmo que a descrença em um deus separado do universo seja a mesma.
Acho que não é bem isso.
No panteísmo não existe "criação" divina porque não há um Deus criador para agir como entidade consciente e autônoma. Tudo que existe é a manifestação, emanação ou realização do conjunto de tudo, isto é, do universo, que é a própria realidade de Deus no panteísmo. Portanto, não existem atributos divinos porque não é possível atribuir vontade ou intenção criadora ao conjunto de tudo que continuamente se transforma.
Visto dessa forma, o panteísmo pode ser considerado ateísta.
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Data da postagem: 19/03/2020, 00:36

Eremita, fico feliz com seu retorno. Abraço
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Data da postagem: 19/03/2020, 16:01
Acho todo teísmo meio desonesto, mesmo o panteísmo. Uma pessoa honesta fala das coisas que constatou pelos sentidos do corpo. No máximo extrapola para teorias. Falar que deus é tudo está errado, está dizendo mais coisa do que é permitido. Somos seres finitos e ninguém experimentou o TUDO. falar sobre a somatória de tudo que existe além de desonesto, é bastante arrogante. A vida ensina que podemos experimentar apenas um pouco do que há a nossa volta. Se for um pouco instruído, poderá usar o raciocínio hipotético para ter uma leve noção mais abrangente. Mas é só.
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Data da postagem: 18/06/2020, 19:25
Acho que depende do tipo de panteísmo. O panteísmo do Spinoza, que o Einstein defendia, tinha ares quase de ateísmo. Mas tem ou tinham algumas religiões panteístas, entre os africanos e indígenas, por exemplo, que eram mais religiosos. Essas religiões panteístas divinizam elementos naturais como o vento, a água, o fogo, dentre outros.
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Data da postagem: 02/12/2021, 01:17