
Clube Ceticismo
Socialismo e Comunismo
Autor: Cinzu | Categoria: Laicismo, Política e Economia | Exibições: 1137881 Comentários: 477

Frequentemente leio nesta rede social que os chineses ficaram "ricos". Mais do que isso: que ultrapassaram os americanos ou estão em vias disso.
A real é que isso não poderia ser menos verdadeiro.
Explico aqui embaixo.
Sim, a China é grande. A população da China é maior que da Europa, da América e da África.
É coerente que o PIB chinês seja grande. Mas PIB não traduz riqueza da população. Do contrário, brasileiros, mexicanos e indonésios seriam mais ricos que suecos, noruegueses e finlandeses.
Uma maneira muito mais eficiente de medir riqueza é dividindo PIB pelo tamanho da população. É o que chamamos de PIB per capita.
Repare na lista abaixo. Ela traduz melhor a realidade: noruegueses, suecos e finlandeses são bem mais ricos que mexicanos, brasileiros e indonésios.
A verdade é que, apesar do PIB da China ser grande, quando nós consideramos o tamanho da população - já levando em conta a inflação e as diferenças no custo de vida - há muito menos riqueza disponível por habitante na China do que nos países desenvolvidos.
Repare na distância.
A renda média dos chineses é bem menor que a dos habitantes dos países desenvolvidos.
Os chineses até recebem acima de quem mora nos países pobres da Ásia, como os afegãos ou os norte coreanos. Mas vivem com bem menos que os taiwaneses, os sul coreanos e os japoneses.
Isso, claro, não vem de hoje. Desde que o Partido Comunista Chinês assumiu o poder, em 1949, o crescimento do PIB per capita chinês, comparado com inúmeros países, é bastante modesto. Na verdade é bem parecido com o da América Latina.
Quando Mao assumiu a China, o PIB per capita dos países do leste da Ásia era muito parecido. Desde então, a China foi passada pra trás por alguns deles com uma margem bem larga.
Hoje, um taiwanês médio é 4 vezes mais rico que um chinês médio. Não havia diferença em 1949.
É verdade que muitos chineses saíram da extrema pobreza nos últimos anos. Mas felizmente a China não é exceção.
A queda da extrema pobreza é uma vitória global.
Mesmo tirando a China dessa conta, quase 1/3 do mundo vivia na extrema pobreza em 1990. Hoje essa fração é de 1/10.
Mas quando aumentamos o sarrafo para os critérios de pobreza dos países desenvolvidos, a China ainda está atrasada.
Na média, só 2% dos habitantes dos países ricos ganham menos de $10 por dia. Na China, esse número é de 45%.
Há mais brasileiros, na média, ganhando isso por dia.
Também é verdade que houve um forte crescimento econômico na China nas últimas décadas.
Mas 1) esse crescimento já não é tão vigoroso como no passado, e 2) os chineses estão envelhecendo bem antes de enriquecerem de verdade.
E essas são ameaças graves à produtividade do país.
O desafio não é pequeno. Diferente dos países desenvolvidos, a China ainda tem problemas do século vinte para resolver - como poluição, habitação e saneamento básico.
https://pbs.twimg.com/media/FrINlZiWcAARrqE?format=jpg&name=4096x4096
Os chineses têm, na média, uma expectativa de vida menor que seus vizinhos mais ricos.
E sem surpresa, têm um IDH bem mais modesto. No índice de desenvolvimento humano, a China aparece atrás até de países como Albânia e Costa Rica.
No índice que mede a satisfação com a vida - um relatório produzido por iniciativa das Nações Unidas, ouvindo o que as próprias pessoas assumem - os chineses estão atrás até dos bolivianos.
Leia-se: os chineses não são tão felizes e realizados quanto a propaganda do país assume.
E ainda há a desigualdade.
Apesar do Partido Comunista governar a China há 73 anos, a China é bem mais desigual que seus vizinhos ricos.
Hoje, Taiwan é mais igualitário que a China. Há 73 anos não havia diferença.
O nível de desigualdade na China é parecido com o dos EUA.
Também não é porque a China é governada pelo Partido Comunista que há um nível alto de gasto social público.
Há mais estado de bem estar social nos países da OCDE (como EUA e Europa), no Japão e na Coreia do Sul, que na China.
Também não é porque a China é governada pelo Partido Comunista que os trabalhadores chineses têm mais direitos. Pelo contrário.
Chineses trabalham, em média, mais de 400 horas a mais por ano que americanos e brasileiros, e mais de 800 horas por ano a mais que os alemães.
Sim, quando juntamos 1,4 bilhão de seres humanos, a riqueza tende a ser imensa.
Se a Europa formasse um país, seria bem mais rico que a China. Se a América fizesse o mesmo, também.
O governo chinês tem um continente de pessoas para administrar. E isso é um poder e tanto.
Por seu tamanho, a China tem plenas condições de construir, no futuro, um exército desenvolvido o suficiente para desafiar até a mais poderosa força militar do mundo.
A China também tem condições de ser, como já é, protagonista nos principais organismos internacionais.
Mas se as ideias políticas servem pra alguma coisa é pra permitir que as pessoas vivam melhor.
E os chineses vivem pior que os moradores de países vizinhos que tinham uma renda próxima a deles em 1949.
Esqueça a propaganda: não há nenhuma previsão que isso mudará tão cedo.
(Rodrigo da Silva)
Fonte: https://twitter.com/rodrigodasilva/status/1635383533626888192?cxt=HHwWgMDUlZiqhrItAAAA
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Data da postagem: 13/03/2023, 23:08
Movendo de outro tópico por ser extremamente um sonho esquerdista.
1. De onde você tirou que diversidade é coisa boa? Diversidade só serve para causar conflitos. Relacionamentos e amizades não duram quando a divergência de pensamento/comportamento é grande. Se fosse algo bom não existiriam tantas guerras.
2. Ladrões, assassinos, drogados, alcoólatras, depravados, parasitas, preguiçosos e personalidades agressivas também seriam "diversidade". Isso deve ser celebrado?
3. Cor de pele não é "diversidade" e sim uma característica normal. Dizer que é algo "diferente" é racismo.
4. Qual é o motivo para desejar igualitarismo? Consegue responder?
5. As pessoas são diferentes, por isso jamais serão iguais. Você pode tentar igualitarismo colocando uma elite privilegiada para diminuir os que estão bem para todos ficarem iguais. A existência dessa elite não é igualitarismo, e prejudicar os que estão em situação melhor é acabar com a harmonia. A outra opção é deixar uma anarquia, que é algo que gera disputa até um grupo conquistar o monopólio da violência.
6. O que você chama de "inclusão" é bonito na teoria, mas na prática tem um custo. Quem está disposto a pagar? Ou prefere usar método autoritário para forçar os outros?
anjexosdefrgosÉ importante lembrar que a diversidade é um valor fundamental e deve ser celebrada em todas as suas formas.
1. De onde você tirou que diversidade é coisa boa? Diversidade só serve para causar conflitos. Relacionamentos e amizades não duram quando a divergência de pensamento/comportamento é grande. Se fosse algo bom não existiriam tantas guerras.
2. Ladrões, assassinos, drogados, alcoólatras, depravados, parasitas, preguiçosos e personalidades agressivas também seriam "diversidade". Isso deve ser celebrado?
3. Cor de pele não é "diversidade" e sim uma característica normal. Dizer que é algo "diferente" é racismo.
E é papel de todos nós trabalharmos para construir uma sociedade mais justa e igualitária, onde todos possam viver em paz e harmonia, independentemente de sua orientação sexual, gênero, raça, etnia ou qualquer outra característica.
4. Qual é o motivo para desejar igualitarismo? Consegue responder?
5. As pessoas são diferentes, por isso jamais serão iguais. Você pode tentar igualitarismo colocando uma elite privilegiada para diminuir os que estão bem para todos ficarem iguais. A existência dessa elite não é igualitarismo, e prejudicar os que estão em situação melhor é acabar com a harmonia. A outra opção é deixar uma anarquia, que é algo que gera disputa até um grupo conquistar o monopólio da violência.
6. O que você chama de "inclusão" é bonito na teoria, mas na prática tem um custo. Quem está disposto a pagar? Ou prefere usar método autoritário para forçar os outros?
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Data da postagem: 31/03/2023, 11:03

Oi,
@FeCastanhari
.
Vi você ridicularizando a ideia de que seja um burguês e decidi escrever essa thread para ajudá-lo a entender porque tantas pessoas riram da sua reação.
Boa leitura:
Você deve ter aprendido isso na escola.
Na Idade Média, as classes sociais surgiram a partir de uma hierarquia estabelecida com base na posse de terras e no poder militar.
Essa hierarquia era composta por três grandes grupos: a nobreza, o clero e os camponeses.
Se você não dormia na sala de aula, aprendeu que a Idade Média europeia foi marcada por uma organização de trabalho predominantemente rural.
Mas talvez não saiba disso: algumas coisas bem peculiares aconteceram no século onze, alterando radicalmente essa história.
Primeiro, um período de aquecimento incomum conhecido como Período Quente Medieval (950-1250).
Sim, o mundo começou a esquentar - o que permitiu o cultivo de safras em áreas antes muito frias para a agricultura, aumentando as áreas cultiváveis da Europa medieval.
Depois, graças a esse movimento, rolou também um aumento na criação de animais, acompanhado de:
1) melhorias das técnicas agrícolas (como a introdução do arado de aiveca) e
2) novos sistemas de irrigação.
E tudo isso possibilitou o quê? A resposta é fácil: mais comida na mesa.
Entre 900 e 1300, graças a isso tudo, a população europeia dobrou de tamanho.
E essa explosão populacional incentivou inúmeros camponeses - a base da pirâmide - a arriscarem uma vida nova, mais livre, num lugar praticamente esquecido desde o fim do império romano: as cidades.
Essa massa de migrantes passou a morar em cidades mercantis conhecidas como burgos - como Londres, Veneza e Paris.
Aliás, vem da França a origem dessa palavra. Os moradores desses burgos eram chamados de "bourgeois". Nós o conhecemos como "burgueses": os habitantes das cidades.
Se os feudos sobreviviam do poder do senhor feudal, os burgos eram governados por uma classe de mercadores chamada burguesia.
A burguesia era formada essencialmente por comerciantes e artesãos.
Nem miserável, nem nobre, ela é a origem do que nós chamamos de classe média.
Se jogar no Google, você descobrirá que esse período é conhecido como "renascimento comercial".
Conforme o comércio se desenvolvia nos burgos, os burgueses foram aumentando sua influência, desafiando o status dos senhores feudais - algo fundamental pra derrubada do feudalismo.
É exatamente por isso que, desde o princípio, os burgueses foram difamados: em crise, aristocratas e senhores feudais saíram espalhando que eles eram gananciosos, mercenários, desrespeitosos com a tradição, incultos e até hereges.
A classe média já nasceu caluniada.
Como os judeus eram proibidos de possuir terra ou exercer cargos públicos, inúmeros se dedicaram à atividade comercial nos burgos.
Associados a esses mitos anti-burgueses, esses judeus testemunharam a eclosão de um período fundamental pra propagação do antissemitismo na Europa.
Quem leu O Mercador de Veneza sabe disso.
Shakespeare apresenta Shylock, um agiota judeu, de maneira extremamente negativa e estereotipada, um "cão judeu" avarento, ganancioso e sem escrúpulos.
Os judeus assumiram todo o preconceito associado à burguesia.
Aliás, sabe onde o Mercador de Veneza foi um sucesso? Nos palcos do Terceiro Reich, dirigida pelo nazista Lothar Müthel.
Goebbels quase levou a obra pro cinema, com o ator da peça, Werner Krauss, no papel principal. Foi a derrocada do nazismo que encerrou a produção.
Como Pinker escreve em Os Anjos Bons da Nossa Natureza, esse ódio à vida urbana mercantil está na raiz de muitos genocídios.
O mito do paraíso agrário perdido foi motor de inúmeros banhos de sangue na história.
Você conhece uma palavra muito boa pra esse sentimento: nostalgia.
Mas apesar do mito, burgueses colaboraram positivamente de inúmeras formas pro mundo: criando instituições políticas que evoluiriam, anos depois, na democracia e nos direitos humanos; patrocinando arte e cultura; produzindo inovação tecnológica e aumentando a educação na Europa.
Quando Marx escreveu sua teoria, já no século 19, as cidades, com suas fábricas e instituições políticas, estavam no centro do mundo. Já havia até metrô em Londres.
Para ele, a sociedade era dividida em duas classes: os burgueses, dominantes; e os proletários, dominados.
Marx via os proletários como uma classe oprimida, explorada e ignorante, entregue a um exaustivo trabalho industrial, com pouco poder ou controle sobre a própria vida, e uma imensa dificuldade em satisfazer as suas necessidades básicas de alimentação, abrigo e vestuário.
A palavra não foi escolhida por acaso.
Proletário tem a sua origem no latim "proletarius", o cidadão romano pobre que tinha tão poucos bens que a única contribuição para o Estado era o seu papel como pai de família - ou seja, como produtor de filhos, a sua prole.
Mas em 2023, a visão marxista de um mundo dividido em duas classes sociais é, no mínimo, grosseiramente simplista.
As sociedades modernas possuem uma estrutura social muito mais complexa e diversificada do que no passado.
A classe média, aliás, é a maior classe social do mundo.
Como escreveu o sueco Hans Rosling, em termos de renda, a humanidade saiu, nas últimas décadas, de um gráfico de camelo para um mundo dromedário.
Desde o século 19 o mundo viu a emergência de:
1. novas classes sociais,
2. novos tipos de trabalho,
3. direitos trabalhistas e
4. Estado de bem-estar social.
Além de uma mudança na natureza da propriedade, com a ascensão dos serviços e das propriedades intelectual e acionária.
É evidente que os super ricos possuem poder e influência em 2023, mas nós vivemos num planeta muito mais descentralizado do que no século 19.
A ideia de que uma classe controla o mundo de forma homogênea é tão boba que namora com a conspiração dos Illuminati e reptilianos.
O mundo contemporâneo não é um livro escrito por uma classe poderosa especial, mas uma carroça que avança numa estrada esburacada, com interrupções e deslizes, puxada por diferentes grupos de pressão.
Mesmo um garoto pobre de Osasco pode enriquecer trabalhando no próprio quarto.
É claro que isso não significa que basta se esforçar para enriquecer, ou que todos têm acesso à mesma oportunidade. Longe disso. Nós ainda temos imensos desafios pela frente.
Mas no passado o seu destino era decretado pelo seu sangue. Hoje é possível mudá-lo ligando uma câmera.
Independente do que você pense sobre classes sociais, o dono de uma produtora capaz de faturar até centenas de milhares de reais por mês definitivamente não é um proletário.
Na verdade, no Brasil, com um salário acima dos R$ 28 mil, ele está no 1% mais rico, no topo da pirâmide.
Um cínico responderia que talvez, nesse momento da vida, você não poderá deixar de trabalhar para manter seu padrão de vida.
Mas o que não falta na história é a falência de industriais, donos de jornais e veículos de tv, financistas, herdeiros e ricos de toda sorte.
Você, Castanhari, é definitivamente um burguês: um empreendedor urbano capaz de empregar pessoas e influenciar milhões de seguidores, com acesso a bens e serviços que um industrial rico da Inglaterra vitoriana jamais sonharia.
E cá entre nós? Não há nada de errado nisso.
(Rodrigo da Silva)
Fonte: https://twitter.com/rodrigodasilva/status/1642984192991535107
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Data da postagem: 03/04/2023, 22:29

No feudalismo, as classes sociais eram fixas, como se fossem espécies distintas. O servo nascia e morria servo. O nobre nascia e morria nobre. Era a vontade de Deus.
Lutero defendia esse sistema e era a favor de se massacrarem os camponeses que se revoltavam contra os maus tratos dos príncipes.
Foi também por isso que removeu os livros da Bíblia que falavam em revoltas.
O capitalismo não faz milagres nem acaba com os preconceitos, mas permite que o dinheiro abra portas. O cara pode ter nascido na classe baixa, mas, se tiver dinheiro, vira gente fina.
Lutero defendia esse sistema e era a favor de se massacrarem os camponeses que se revoltavam contra os maus tratos dos príncipes.
Foi também por isso que removeu os livros da Bíblia que falavam em revoltas.
O capitalismo não faz milagres nem acaba com os preconceitos, mas permite que o dinheiro abra portas. O cara pode ter nascido na classe baixa, mas, se tiver dinheiro, vira gente fina.
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Data da postagem: 04/04/2023, 08:58

Sempre me surpreendo positivamente com o conceito dos marxistas-leninistas deste site de restringir os burgueses, inimigos dos proletários, à classe dos multibilionários donos dos meios de produção.
Pode não parecer, mas é uma evolução do que esse grupo fez no passado:
No Camboja, o Khmer Vermelho era capaz de executar pessoas consideradas burguesas apenas por usarem óculos de grau.
ONU: https://www.ohchr.org/en/press-releases/2009/10/human-rights-committee-considers-civil-and-political-situation-cambodia
Anistia Internacional: https://www.amnesty.org/en/wp-content/uploads/2021/06/asa230141998en.pdf
Na Ucrânia, mesmo pequenos camponeses eram perseguidos pela revolução - eles eram chamados de Pidkurkulnyk/підкуркульник (literalmente "camponeses quase ricos"). Não havia dúvida do seu status burguês.
https://holodomormuseum.org.ua/archive/nasadzhennia-kolektyvnoi-systemy-hospodariuvannia-2/
Na Revolução Chinesa, pequenos proprietários de terra e até vendedores ambulantes eram espancados, presos e executados, aos montes, tratados sem cerimônia como burgueses.
(Mao: A história desconhecida, Jung Chang e Jon Halliday, Companhia das Letras)
A Revolução Cultural perseguiu até uma classe de "professores burgueses", todos assalariados (para Mao, deveriam ser tratados "como peido de cachorro"). Muitos foram espancados em público.
Nem o Global Times, veículo estatal chinês, esconde isso:
https://www.globaltimes.cn/content/819004.shtml
Durante a Revolução Cultural, a elasticidade do conceito era tamanha que um sujeito poderia ser considerado burguês só por ter um parente morando no exterior.
https://www.cambridge.org/core/books/collective-killings-in-rural-china-during-the-cultural-revolution/43E44FD4FF3B56999713DC34EF501D46#fndtn-information
Na Revolução Russa, pequenos comerciantes também eram perseguidos como parte da burguesia, condenados durante o Terror Vermelho de Lenin.
(Sussurros: A vida privada na Rússia de Stalin, Orlando Figes, Editora Record)
Na Albânia, como escreve o próprio Instituto de Estudos Marxista-Leninistas do Comitê Central do Partido do Trabalhador da Albânia, numa autocrítica, mesmo pequenos comerciantes foram perseguidos pela revolução, considerados inimigos de classe.
http://www.enverhoxha.ru/Archive_of_books/History_PLA/history_of_the_party_of_labour_of_albania_second_edition_eng.pdf
Na Revolução Cubana, mesmo gays eram parte do que Fidel chamava de "decadência burguesa" - ou seja, bastava um homem sentir atração por outro homem para ser inevitavelmente burguês.
Muitos gays foram presos, executados ou sofreram tratamento de choque.
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/08/fidel-assume-culpa-pela-onda-homofobica-em-cuba-ha-50-anos.html
Como a história abundantemente prova, a ideia de que apenas uma pequena elite - financeira, latifundiária e industrial - é perseguida nas revoluções comunistas, tratada como burguesa, é um mito que só tuiteiros preguiçosos e propagandistas pés-de-chinelo poderiam repetir.
Os exemplos se espalham aos montes: ao longo do século vinte, líderes comunistas consideraram burgueses de agricultores familiares a pequenos comerciantes urbanos, membros, quando muito, de uma classe média esquálida.
É uma evolução poder ver tantos marxistas-leninistas tirarem o status de burgueses até mesmo de milionários brasileiros.
Muitos dos nossos marxistas-leninistas, inclusive os assalariados, teriam sido condenados, tratados como burgueses irrecuperáveis nas revoluções que defendem.
(Rodrigo da Silva)
Fonte: https://twitter.com/rodrigodasilva/status/1643249238929731584
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Data da postagem: 04/04/2023, 23:12

“China simula ataque contra Taiwan – Bloqueio naval e mísseis mostram como será a invasão chinesa”:
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Data da postagem: 10/04/2023, 22:06

China ameaça invadir e anexar Taiwan.
Você sabe como começou essa história? Qual o impacto disso na sua vida? Qual o risco disso virar uma guerra mundial?
Conto aqui embaixo:
Taiwan está a 130 km da China. Mas em 1949, governada por Chiang Kai-shek, todo esse território formava uma coisa só: a República da China.
Foi quando Mao Zedong tomou o país com um golpe, derrubando os nacionalistas do poder, vencendo uma guerra civil com milhões de mortos.
Derrotado, Kai-shek fugiu pra Taiwan e passou a governar de lá como se a República da China jamais tivesse sido derrubada.
Em Pequim, Mao deu um novo nome ao país: República Popular da China. E desde então seu partido promete, sem sucesso, conquistar o território de Taiwan.
Esse não é um impasse pequeno.
Por muito tempo, era o governo de Taiwan quem sentava no assento do Conselho de Segurança da ONU, não o de Pequim.
A ONU só foi reconhecer o Partido Comunista no controle da China em 1971.
Desde então, Taiwan não é um país-membro da organização.
Mas Taiwan é de fato um país que se autogoverna há mais de 70 anos.
Taiwan tem capital, governo, moeda, hino, bandeira, forças armadas, poderes independentes, 13 partidos com representantes eleitos e uma característica que irrita profundamente Pequim: identidade nacional.
Em 1949, Taiwan e China eram territórios governados pelo mesmo partido, habitados pelo mesmo povo, com a mesma língua, a mesma cultura e os mesmos índices socioeconômicos.
Hoje, esses são países completamente diferentes.
Taiwan é uma democracia com amplos direitos humanos - o primeiro país da Ásia a permitir o casamento gay (com a primeira ministra de Estado transexual do mundo).
A internet em Taiwan é livre, assim como a imprensa, as igrejas, os sindicatos, o mercado e as organizações sociais.
O IDH de Taiwan é superior ao da França; o da China é inferior ao da Bulgária e do Irã.
O PIB per capita de Taiwan é maior do que o da Finlândia; o da China é menor que o da Costa Rica.
Há menos pobreza em Taiwan que na Suécia; há mais pobreza na China que na Bolívia.
Esqueça os clichês sobre comunismo e capitalismo.
A desigualdade social é maior na China que na Nigéria e na Índia.
A desigualdade social é menor em Taiwan que na Alemanha e na Suíça.
Nas pesquisas de opinião, os taiwaneses são mais felizes e realizados que os chineses.
Não é difícil entender os motivos.
Eles dedicam menos horas ao trabalho que os chineses e ganham salários maiores. Não bastasse, são menos corruptos e têm uma expectativa de vida maior.
Os taiwaneses também têm acesso a melhores serviços públicos de saúde e educação.
Ou seja, recapitulando: vivem mais tempo, com melhor qualidade, trabalhando menos, ganhando salários maiores, com melhor acesso a serviços de saúde e educação, e maior liberdade civil e econômica.
Nas últimas décadas, com Taiwan se desenvolvendo num ritmo muito maior que a China, a população desse lugar, tendo amplas liberdades, passou a alimentar uma identidade própria.
Hoje, 60,8% dos taiwaneses se identificam como taiwaneses e apenas 2,7% se consideram chineses.
E apesar disso, a China repetidas vezes ameaça invadir esse país, consideravelmente mais livre, mais desenvolvido e melhor educado, desrespeitando a autodeterminação de um povo pacífico, mesmo que isso signifique lançar o mundo inteiro numa guerra.
https://www.dw.com/pt-br/china-inicia-exercícios-militares-ao-redor-de-taiwan/a-65262995
Mesmo empresas e celebridades americanas não escapam dessa pressão chinesa sobre Taiwan.
Atores de Hollywood:
https://www.theguardian.com/world/2021/may/26/john-cena-very-sorry-for-saying-taiwan-is-a-country
Filmes de Hollywood:
https://www.bloomberg.com/news/articles/2022-05-31/top-gun-keeps-taiwan-flag-in-rare-hollywood-defiance-of-china
Companhias aéreas:
https://www.publico.pt/2018/05/23/mundo/noticia/companhias-aereas-cedem-a-exigencia-de-pequim-e-adotam-referencia-taiwan-china-1831312
Grandes marcas:
https://asia.nikkei.com/Spotlight/The-Big-Story/How-Beijing-enlists-global-companies-to-pressure-Taiwan
Em 2023, não há qualquer garantia de preservação da paz entre chineses e taiwaneses. Este é um conflito com inúmeras hipóteses e mais perguntas do que respostas.
Mas há um fato indiscutível a seu respeito: há apenas um agressor e um país resistindo à ameaça imperialista.
Se você quer entender melhor por que essa guerra seria uma catástrofe muito maior que a invasão à Ucrânia, com impactos suficientes para provocar uma depressão mundial e refundar o século 21, sugiro a leitura desta thread que publiquei no ano passado.
https://twitter.com/rodrigodasilva/status/1496895626625400834
Nos próximos meses você verá nessa rede social um exército de trolls e sociopatas, com bandeirinhas de países subdesenvolvidos no perfil, defendendo uma invasão militar chinesa a Taiwan, criando qualquer desculpa estapafúrdia para justificar (mais uma vez) a morte de inocentes.
Eles criticarão a presidente de Taiwan, os EUA, a Otan, o capitalismo, Biden e até Zelensky.
Mas no fim, qualquer invasão chinesa a esse lugar - uma ameaça a 23 milhões de pessoas - seria um crime contra a humanidade. Mais um na conta deles.
E nenhuma propaganda apagaria isso.
E não apenas os taiwaneses sofreriam.
Como Taiwan é líder global em produção de chips, uma invasão chinesa impactaria brutalmente o mercado de semicondutores, encarecendo boa parte dos produtos indispensáveis à sua vida - dos carros aos celulares.
O impacto seria monstruoso.
Com essa importância econômica bem maior que da Ucrânia, o mundo dificilmente reagiria a uma guerra com notas de repúdio.
Pela vulnerabilidade geográfica, o Japão promoveria a primeira reação. Com um acordo militar com Taiwan, os EUA viriam na sequência.
https://www.bloomberg.com/opinion/features/2022-11-06/why-japan-is-gearing-up-for-possible-war-with-china-over-taiwan
E o Brasil? Lula provavelmente fingiria neutralidade, papagaiando sobre nossa "tradição diplomática", ao mesmo tempo em que lançaria declarações cínicas de inegável apoio à China e crítica aos EUA.
É o que ele faz hoje com a invasão russa na Ucrânia.
E seria um erro. Mais um.
Taiwan tem o que a direita democrática preza (liberdade de culto, livre mercado, livre expressão) e o que a esquerda democrática defende (direitos humanos, igualdade social, bons serviços públicos).
Sabe onde não tem nada disso? Na ditadura que o presidente brasileiro admira.
No fim, Taiwan nos revela pra que serve a política: cuidar das pessoas, sem atentar contra suas liberdades fundamentais.
Não há democrata indiferente a isso.
É por isso que uma agressão a Taiwan é bem mais que uma guerra distante: é um ataque frontal aos nossos valores.
(Rodrigo da Silva)
Fonte: https://twitter.com/rodrigodasilva/status/1645521935026061327?cxt=HHwWnoC89ejeiNYtAAAA
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Data da postagem: 10/04/2023, 22:17

Huxley
(Rodrigo da Silva)
Fonte: https://twitter.com/rodrigodasilva/status/1645521935026061327?cxt=HHwWnoC89ejeiNYtAAAA
Muito boa essa thread!
:clap:
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Data da postagem: 11/04/2023, 10:10
Taiwan é uma democracia com amplos direitos humanos - o primeiro país da Ásia a permitir o casamento gay (com a primeira ministra de Estado transexual do mundo).
Isso não é direitos humanos. É lacração. Violação de direitos humanos é o governo invadir a casa dizendo que os dois não podem viver juntos.
E o Brasil? Lula provavelmente fingiria neutralidade, papagaiando sobre nossa "tradição diplomática", ao mesmo tempo em que lançaria declarações cínicas de inegável apoio à China e crítica aos EUA.
É o que ele faz hoje com a invasão russa na Ucrânia.
E seria um erro. Mais um.
Esse Rodrigo da Silva é um baba ovo de americano. Fala como ainda estivesse em guerra fria.
Claro que Taiwan está melhor, por ser um país muito menor, banhado pelo mar e conseguiu se especializar numa indústria de alta tecnologia.
Lula não admira o governo chinês nem o cubano. O alinhamento é muito mais geopolítico do que ideológico. Devemos pensar no que é melhor para o Brasil, e nisso o pé de cana está certo.
O autor se diz defender direitos humanos, mas quando estão contra EUA/OTAN ele é a favor de guerra. O possível conflito em Taiwan e o conflito na Ucrânia são como fosse palco de uma batalha na guerra entre Ocidente e Oriente.
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Data da postagem: 11/04/2023, 11:15

TutuEsse Rodrigo da Silva é um baba ovo de americano. Fala como ainda estivesse em guerra fria.
A guerra fria nunca terminou. E os motivos para Taiwan ter se tornado independente ainda estão de pé.
TutuClaro que Taiwan está melhor, por ser um país muito menor, banhado pelo mar e conseguiu se especializar numa indústria de alta tecnologia.
Sem falar em que eles são livres para dizer o que pensam sem ser acusados de traidores da pátria ou coisa assim.
Basta comparar tudo o que aconteceu na China ao longo dos últimos 70 anos com a vida em Taiwan.
Os taiwaneses não querem ser invadidos por uma ditadura. Isto é motivo suficiente e encerra a questão.
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Data da postagem: 11/04/2023, 11:54