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Relação entre Trump (e trumpistas) com Putin e a Rússia
Autor: Huxley | Categoria: Laicismo, Política e Economia | Exibições: 203918 Comentários: 181

Nessa semana, fui provocado no X a falar sobre a extrema-direita.
Muitos usuários dessa rede social não acreditam sequer que ela existe.
Será verdade? O que é a extrema-direita?
Essa é a maior thread que eu já publiquei aqui:
Em linhas gerais, esses são os maiores partidos de extrema-direita na Europa:
O Rassemblement National (conhecida até pouco tempo como “Front National”), da França. 🇫🇷
O Alternative für Deutschland (AfD), da Alemanha. 🇩🇪
A Lega Nord, na Itália. 🇮🇹
O Freiheitliche Partei Österreichs (FPÖ), na Áustria. 🇦🇹
E o Fidesz, na Hungria, sob a liderança de Viktor Orbán, o primeiro-ministro do país. 🇭🇺
Por que eles são considerados de extrema-direita – e o que define a extrema-direita – eu falarei mais à frente.
Mas é um fato que muitos dos eleitores conservadores brasileiros se sentem pessoalmente ofendidos quando esses partidos são chamados de extrema-direita.
A ironia é que essas organizações, e as suas lideranças políticas, estão umbilicalmente conectados a dois adversários geopolíticos históricos da direita: a Rússia e a China.
Como eu mostrarei na sequência, muitos dos militantes conservadores brasileiros estão tão cegos por ideologia que são incapazes de perceber, mas espalham propaganda russa e chinesa nessa rede social sob a pretensa desculpa de defender o pensamento político conservador.
Vamos à Alemanha.
Maximilian Krah, um dos líderes do Alternative für Deutschland (AfD), membro do Parlamento Europeu, alimentou nos últimos anos laços inegáveis com a China.
No último mês de abril, o chinês Jian Guo, o seu assistente no parlamento, foi preso em Dresden, acusado de espionar para Pequim. Jian passava informações sobre as negociações e as decisões do Parlamento Europeu para o serviço de inteligência chinês.
https://www.bbc.com/news/world-europe-68880086
Para os alemães, nada disso impressiona. Ao contrário dos líderes da direita alemã, Maximilian Krah é um defensor de longa data de Pequim. Para ele, a Alemanha deveria usar o dinheiro chinês para se fortalecer numa zona de livre comércio com a Rússia e fazer frente aos Estados Unidos. Ele acusa a União Europeia de ser “vassala” dos americanos.
Krah diz publicamente que todas as acusações que a China recebe da imprensa e de organizações internacionais não passam de “propaganda anti-chinesa”.
Diferentes pessoas que trabalharam com Krah nos últimos anos já receberam financiamento chinês. Jian Guo, o assistente preso, chegou a se infiltrar em grupos anti-Pequim na Alemanha para relatar o que acontece nesses movimentos para a inteligência chinesa.
Muitos dos líderes do AfD falam mandarim e visitam a China com frequência. Alguns até já moraram na China.
https://www.rnd.de/politik/alice-weidel-in-peking-warum-chinas-kommunisten-die-afd-hofieren-7PVFD7LHPVBU5NFFNBVDRMRGTU.html
O próprio Maximilian Krah vive dando entrevistas para os jornais estatais chineses. E já produziu diferentes vídeos dando felicitações para o Partido Comunista Chinês (um deles pelo 70º aniversário da ocupação chinesa do Tibete).
https://www.globaltimes.cn/page/202211/1278554.shtml
https://europeantimes.news/2021/05/member-of-the-european-parliament-maximilian-krah-congratulates-the-tibet-autonomous-region-on-its-70th-anniversary/
No Parlamento Europeu, Krah foi o vice-presidente de um grupo chamado “EU-China Friendship Group”, que defendia uma cooperação mais estreita dos europeus com os chineses, financiado diretamente pelo Partido Comunista Chinês.
Uma reportagem publicada pelo Politico, de 2020, denunciou as intenções do grupo e, desde então, as suas atividades foram suspensas.
https://www.politico.eu/article/china-influence-european-parliament-friendship-group/
O grupo ficou impedido de usar o logotipo e o nome do Parlamento Europeu.
https://www.politico.eu/article/eu-china-friendship-group-suspended/
Adivinha só de onde vinha a maior parte dos seus membros? Pois é: da extrema-direita.
https://sinopsis.cz/wp-content/uploads/2019/11/ep.pdf
Em 2018, Maximilian Krah foi até a China palestrar para a Silk Road Think Tank Association (SRTA), uma organização liderada pelo Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China.
https://www.spiegel.de/netzwelt/netzpolitik/maximilian-krah-und-sein-verdaechtiger-mitarbeiter-verkauft-die-afd-unser-land-kolumne-a-03df390a-8f59-47df-a88b-c3d939938335
Segundo o Bundesamt für Verfassungsschutz (BfV, Gabinete Federal para a Proteção da Constituição), esse organismo é parte do aparelho dos serviços secretos chineses e desempenha um papel fundamental na “obtenção de informação política de alta qualidade e na influência dos processos de tomada de decisão no exterior”.
Em 2019, Krah voou até Pequim, na classe executiva, e passou seis dias em hotéis luxuosos. Essa viagem foi financiada por empresas chinesas ligadas ao Estado, como a Huawei e a China National Petroleum Corporation (CNPC).
Krah foi até o país para se reunir com o Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China.
No mês passado, Krah disse que o Ocidente não governa o mundo e deveria parar de ter paranoia com a China. Ele defende publicamente que a China reconquiste Taiwan e diz que as críticas contra os abusos de direitos humanos no país são “irrelevantes”.
https://www.ft.com/content/712a4abd-66b3-4b83-bba1-012d5cc12f02
https://www.dw.com/en/china-courts-germanys-far-right-populist-afd/a-66504263
Maximilian Krah, como muitos membros do AfD, nasceu na Alemanha Oriental e, há muitos anos, estudou na China. Ele é acusado por outros membros do Parlamento Europeu de ser o “vassalo mais barulhento” de Pequim na instituição.
https://www.barrons.com/news/maximilian-krah-german-mep-hit-by-china-russia-claims-cf1d90f1
Como relata a imprensa asiática, a China encontrou na extrema-direita europeia uma aliada no continente. O AfD não é o único grupo próximo de Pequim.
https://asia.nikkei.com/Politics/International-relations/China-finds-unlikely-allies-in-Germany-s-far-right-and-far-left
Viktor Orban, amigo de Trump e Bolsonaro, é um dos principais aliados da China na Europa. Sob o seu governo, a Hungria virou uma espécie de modelo de relacionamento para Pequim.
https://www.politico.eu/article/xi-jinping-viktor-orban-china-hungary-diplomacy-love-letter-cooperation/
https://www.ft.com/content/5b55ef85-b884-449a-8ccc-c9273cc5e9ff
https://www.nytimes.com/2024/05/09/world/europe/xi-jinping-china-hungary-orban.html
Orban vive elogiando Pequim e diz que a China é “um dos pilares estruturais da nova ordem mundial”.
https://miniszterelnok.hu/en/statement-by-prime-viktor-orban-after-his-talks-with-xi-jinping-president-of-the-peoples-republic-of-china/
No mês passado, Xi Jinping foi recebido na Hungria literalmente num tapete vermelho. Ele e Orban assinaram 16 acordos de cooperação e Orban o chamou de “amigo de longa data”.
https://www.eunews.it/en/2024/05/09/orban-rolls-out-the-red-carpet-for-longtime-friend-xi-jinping-china-and-hungary-sign-16-cooperation-agreements/
O presidente sérvio Aleksandar Vučić, outro líder da direita populista europeia, já chegou até a beijar a bandeira chinesa num evento público.
https://news.cgtn.com/news/2020-03-22/Serbian-president-kisses-Chinese-flag-as-support-team-arrives--P3FlpiEMBa/index.html
https://www.thetimes.com/uk/politics/article/serbian-president-vucic-regularly-spoke-to-leader-of-violent-far-right-group-mp-claims-r8m35kbnd
No mês passado,Vučić disse que nenhum outro país no mundo reverencia tanto Xi Jinping como a Servia:
https://www.politico.eu/article/xi-jinping-belgrade-serbia-china-aleksandar-vucic-investments/
“Eu disse a ele que, como líder de uma grande potência, ele será recebido com respeito em todo o mundo, mas a reverência e o amor que ele encontra na nossa Sérvia não serão encontrados em nenhum outro lugar.”
Da perspectiva chinesa, a cooperação com a extrema-direita do leste e da região central da Europa é uma grande oportunidade. Mas falarei sobre isso mais adiante.
Pequim não é o principal governo alimentando relações com a extrema-direita europeia.
A extrema-direita europeia é umbilicalmente ligada à Rússia.
Vou contar uma história que ajuda a ilustrar como esse vínculo funciona.
Em abril desse ano, a República Tcheca anunciou o congelamento dos bens de dois homens que o governo tcheco acusa de dirigir uma operação de influência na Europa para apoiar “os interesses de política externa da Federação da Rússia” – as palavras são do Ministério dos Negócios Estrangeiros do país.
https://mzv.gov.cz/jnp/en/issues_and_press/press_releases/the_czech_government_approves_listings.html
A primeira pessoa listada se chama Viktor Medvedchuk. A segunda é Artem Marchevsky.
Medvedchuk é um magnata ucraniano pró-Rússia, e por muito tempo foi o aliado mais próximo de Vladimir Putin na Ucrânia.
Por uma década, Medvedchuk foi o fundador e presidente da organização política pró-Rússia Escolha Ucraniana (Український вибір), criada para se opor a uma eventual adesão do país à União Europeia. Medvedchuk chegou a comparar o bloco europeu ao Terceiro Reich.
https://ukrainianweek.com/kremlin-imposed-ukrainian-choice/
https://www.rbc.ua/rus/news/evropa-pryachet-svoi-istinnye-namereniya-za-tak-nazyvaemymi-24092013105000
Em 2021, a Ucrânia acusou Medvedchuk de financiar atos terroristas no país. Ele estava canalizando dinheiro para separatistas em Luhansk e Donetsk, no leste do país.
Medvedchuk chegou a ser condenado à prisão domiciliar em Kyiv, acusado de alta traição, mas escapou pouco depois da Rússia invadir a Ucrânia, em 2022, numa troca de prisioneiros entre os dois países.
Em abril, a República Tcheca disse que reprimiu uma “operação de influência russa dirigida por Viktor Medvedchuk diretamente da Rússia”. O objetivo de Medvedchuk “era espalhar narrativas pró-Rússia que minavam a soberania da Ucrânia enquanto se infiltravam no Parlamento Europeu”.
Como ele fez isso? Com a ajuda de Artem Marchevsky, um cidadão ucraniano-israelense, diretor de um site chamado Voz da Europa, registrado na República Tcheca.
Não se engane com o nome. O Voz da Europa é uma plataforma de propaganda e desinformação que ecoa a voz da Rússia em inglês. Medvedchuk financiou a operação do site a partir da Rússia.
A inteligência da República Tcheca descobriu que o Voz da Europa era bem mais que um site de propaganda: era uma estrutura robusta de propaganda usado pelo governo russo para financiar políticos da Alemanha, da França, da Polônia, da Bélgica, da Holanda e da Hungria para promover os interesses russos no Parlamento Europeu.
Entre os políticos na lista do Voz da Europa estão Maximilian Krah (o mesmo ligado à China, citado anteriormente) e Petr Bystron, membro do parlamento alemão. Os dois estão entre as principais lideranças do Alternative für Deutschland.
https://www.spiegel.de/politik/deutschland/afd-spendenaffaere-neue-enthuellungen-ueber-geldfluesse-aus-russland-a-0633977a-c07f-484b-b6f7-b826b52ed8ad?sara_ref=re-so-app-sh
Krah e Bystron recebiam dinheiro russo através de bolsas de criptomoedas ou em espécie, em reuniões secretas em Praga.
Há até uma gravação de Bystron contando as cédulas de dinheiro que recebeu de Medvedchuk em Praga: 20 mil euros para espalhar propaganda russa no parlamento.
https://www.spiegel.de/politik/deutschland/afd-verdacht-auf-russische-geldzahlungen-videoaufnahmen-sollen-petr-bystron-belasten-a-9722ca66-9ddd-4027-8ea5-b115ac57c9d4
Segundo a investigação tcheca, pelo menos 500 mil euros foram gastos por Moscou para sustentar a operação. Mas a casa caiu para Bystron.
No mês passado, a polícia alemã invadiu o seu escritório no parlamento, e o acusou de lavagem de dinheiro e suborno ligados à Rússia. Quase 70 policiais e 11 promotores estiveram envolvidos na operação. O Bundestag concordou em retirar a imunidade parlamentar de Bystron para permitir que ele fosse processado.
https://www.bbc.com/news/articles/cd13114xwkqo
Enquanto esteve no ar, o canal no YouTube do Voz da Europa apresentou entrevistas com diferentes políticos europeus de partidos de extrema-direita da Bélgica, França, Alemanha, Itália, Polônia e Holanda.
Há anos, a Rússia é acusada de financiar as operações de grupos de extrema-direita na Europa. Petr Bystron é só mais uma das lideranças dessa lista.
Grande parte do Alternative für Deutschland apoia a Rússia.
O serviço secreto alemão acusa a Rússia (e a China) de tentar desestabilizar a Alemanha (e a Europa) usando o AfD.
https://www.tagesschau.de/inland/verfassungsschutz-sabotage-russland-china-afd-100.html
https://www.zeit.de/politik/deutschland/2023-05/thomas-haldenwang-afd-russische-propaganda
Essa reportagem do Organized Crime and Corruption Reporting Project, de 2023, mostra como a Rússia gastou um caminhão de dinheiro nos últimos para comprar o apoio de políticos europeus. Diferentes membros e ativistas do AfD são citados na reportagem.
https://www.occrp.org/en/investigations/kremlin-linked-group-arranged-payments-to-european-politicians-to-support-russias-annexation-of-crimea
Por anos, líderes do Alternative für Deutschland foram flagrados viajando para Moscou em aviões particulares.
https://www.dw.com/en/report-afd-members-flight-sponsored-with-russian-money/a-43872774
A ala jovem do AfD chegou a estabelecer uma aliança com o movimento juvenil do partido Rússia Unida, controlado por Putin.
https://www.spiegel.de/politik/wie-putin-die-afd-fuer-seine-zwecke-missbraucht-a-00000000-0002-0001-0000-000163279501
Markus Frohnmaier, membro do parlamento alemão e fundador do movimento juvenil do Alternative für Deutschland em Baden-Württemberg, é uma das figuras centrais dessa história. Frohnmaier é um russófilo de carteirinha, casado com uma jornalista russa, funcionária de um jornal pró-Putin.
No passado, ele defendeu ferozmente a anexação da Crimeia pela Rússia como uma “conquista da independência” e colaborou para um site russo ligado a Alexander Dugin.
https://www.kritiknetz.de/images/stories/texte/Umland_Dugin.pdf
Frohnmaier e Marcus Pretzell (ex-membro do Parlamento Europeu pelo Alternative für Deutschland) chegaram a ir à Crimeia ocupada numa viagem financiada por uma fundação russa.
https://www.spiegel.de/politik/deutschland/marcus-pretzell-russische-stiftung-bezahlte-krimreise-des-afd-politikers-a-1130921.html
Frohnmaier foi, por anos, muito próximo de Manuel Ochsenreiter, o seu assistente no parlamento alemão.
https://www.zdf.de/politik/frontal/der-fall-frohnmaier-100.html
Manuel Ochsenreiter era um pupilo de Alexander Dugin (a quem já descreveu como uma figura parental e um amigo de longa data) e o fundador da revista de extrema-direita alemã “Zuerst!”, além de membro frequente de fóruns neofascistas.
https://www.zeit.de/2017/34/osteuropa-wahlbeobachtung-afd-wladimir-putin/seite-2
Ochsenreiter também já foi ligado a Yevgeny Prigozhin, o fundador do Wagner Group.
Frohnmaier e Ochsenreiter, junto com o polonês Mateusz Piskorski (preso na Polônia acusado de trabalhar, por anos, como espião para a Rússia e a China na Europa) fundaram, em 2016, o “Centro Alemão de Estudos Eurasiáticos” (Deutsche Zentrum für Eurasische Studien).
https://vsquare.org/leak-emails-mateusz-piskorski-kremlin-plans/
Foi com essa organização que Ochsenreiter organizou viagens para membros do Alternative für Deutschland para o leste da Ucrânia ocupada pela Rússia.
https://www.tagesschau.de/investigativ/ochsenreiter-afd-russland-101.html
No dia 18 de agosto de 2021, Ochsenreiter morreu em Moscou vítima de um ataque cardíaco.
https://www.endstation-rechts.de/news/rechter-publizist-manuel-ochsenreiter-gestorben
Poucos anos antes, ele havia participado de um atentado terrorista na Ucrânia, numa operação de false flag russa no país.
https://www.welt.de/politik/deutschland/article187288076/Vorwuerfe-AfD-Mitarbeiter-im-Bundestag-nach-Berichten-ueber-Anschlag-entlassen.html
Em seu obituário, Dugin o descreveu como seu “filho espiritual” e um “inimigo da sociedade aberta”.
https://www.zeit.de/2022/19/afd-russland-krieg-manuel-ochsenreiter
Markus Frohnmaier ainda é membro do parlamento alemão pelo Alternative für Deutschland.
Diferentes líderes políticos do Alternative für Deutschland são próximos da Rússia. Dá pra dizer que a relação do partido com Moscou não é nada discreta.
Ontem mesmo, Zelensky discursou no parlamento alemão e, em protesto, os membros do Alternative für Deutschland se retiraram do parlamento. Políticos de todos os outros partidos – da esquerda à direita alemã – aplaudiram o discurso do presidente ucraniano.
https://www.politico.eu/article/germany-russia-friendly-parties-afd-bsw-skip-zelenskyy-ukraine-speech/
Em 2023, Steffen Kotré, membro do parlamento alemão pelo AfD, foi convidado para participar de um programa de tv russo, em meio à guerra na Ucrânia, e disse, no ar, que a grande mídia alemã estava fazendo de tudo para virar os alemães contra a Rússia. Ele aproveitou a ocasião para criticar o envio de armas da Alemanha para a Ucrânia.
https://insightnews.media/deputy-of-the-political-party-alternative-for-germany-on-russian-state-television/
Dias depois, Tino Chrupalla, outro membro do parlamento alemão pelo AfD, apareceu em um talk show russo, ao lado do embaixador da Rússia na Alemanha, defendo uma aproximação do país com Moscou.
https://www.tagesschau.de/inland/ukraine-krieg-russland-afd-101.html
Chrupalla disse que os Estados Unidos eram os responsáveis pela guerra e os maiores aproveitadores do conflito.
https://www.aspistrategist.org.au/how-germanys-far-right-politicians-became-the-kremlins-voice/
E ainda há a história de Eugen Schmidt, outra figura eleita para o parlamento alemão pelo Alternative für Deutschland.
Schmidt, nascido na União Soviética, passou anos reproduzindo propaganda estatal russa na Alemanha, ao mesmo tempo em que acusava a Alemanha, nos programas de tv da Rússia, de não ser uma democracia.
https://www.tagesschau.de/investigativ/kontraste/afd-ukraine-russland-101.html
Por anos, Schmidt empregou um cidadão russo chamado Vladimir Sergiyenko no seu escritório no parlamento alemão.
https://www.spiegel.de/international/germany/germany-pro-russian-afd-worker-moscow-s-man-in-the-bundestag-a-5fb8d1ef-ee5b-44d2-9cce-850d19651be8
Em fevereiro desse ano, Sergiyenko foi acusado de trabalhar para o Serviço Federal de Segurança da Rússia (o FSB, substituto do KGB soviético). E renunciou ao cargo no parlamento após a acusação.
https://meduza.io/en/news/2024/02/04/advisor-to-german-lawmaker-steps-down-after-allegations-of-working-for-russian-fsb
Nos últimos anos, Sergiyenko trabalhou escrevendo discursos para diferentes parlamentares do Alternative für Deutschland. Os discursos eram corrigidos e aprovados pelo Kremlin.
https://theins.ru/politika/268808
Ele também persuadiu o Alternative für Deutschland a abrir uma ação judicial contra o Tribunal Constitucional Federal da Alemanha para impedir o fornecimento de tanques à Ucrânia.
Além do apoio à Rússia, muitos membros do AfD também apoiam os aliados da Rússia.
Por exemplo: Udo Hemmelgarn, membro do parlamento alemão pelo Alternative für Deutschland de 2017 a 2021, passou anos apoiando o governo Assad e exigindo o apoio alemão ao envolvimento russo na Síria. Assad é o maior parceiro de Putin no Oriente Médio.
Em 2019, Hemmelgarn organizou uma viagem de membros do AfD até a Síria, onde o AfD foi recebido com pompas de Estado pelo governo Assad.
https://corporate.dw.com/en/far-right-german-afd-lawmakers-meet-assad-representatives-in-syria/a-51376553
https://www.spiegel.de/politik/ausland/syrien-afd-politiker-verbruedern-sich-mit-grossmufti-hassun-a-1196698.html
Um dos membros do partido elogiou a Síria dizendo que se sente mais inseguro quando visita o Brasil.
https://www.spiegel.de/politik/deutschland/afd-politiker-erklaeren-ihre-syrien-reise-zum-assad-regime-a-1198854.html
Ao longo do seu mandato, Hemmelgarn esteve intimamente associado à Rússia. Em 2019, ele viajou até a Crimeia ocupada pela Rússia com outros membros do AfD.
https://brusselswatch.org/udo-hemmelgarn-a-pro-russian-influence-in-german-politics/
Nem todos os líderes da extrema-direita europeia estão associados ao Kremlin, mas há um grande número deles nessa direção.
Como contou o Le Monde na semana passada, desde 2023, sete países da União Europeia investigam uma operação russa que visava desestabilizar as eleições para o Parlamento Europeu do último dia 9 de junho. Parte importante das forças políticas utilizadas pelo Kremlin estavam na extrema-direita europeia.
https://www.lemonde.fr/en/international/article/2024/06/06/europe-russian-connections-of-several-far-right-meps-become-clearer_6674028_4.html
Além da Alemanha, a Rússia influencia movimentos de extrema-direita na Áustria, República Checa, França, Hungria, Itália, Polônia, Sérvia, Eslováquia e Suécia.
https://www.icct.nl/publication/russia-and-far-right-insights-ten-european-countries
O Partido da Liberdade da Áustria tem um “tratado de amizade” assinado com o Rússia Unida, de Putin, desde 2016.
https://www.lemonde.fr/europe/article/2016/12/20/l-extreme-droite-autrichienne-s-allie-a-russie-unie-le-parti-de-vladimir-poutine_5051746_3214.html
A Liga Norte, da Itália, assinou um acordo com o Rússia Unida em 2017.
https://www.ilpost.it/2017/03/07/lega-nord-accordo-cooperazione-russia-unita-putin/
Esse aqui é Matteo Salvini, do Liga Norte, o vice-primeiro-ministro de Itália:
A Hungria de Orban, amigo de Trump e Bolsonaro, é a maior aliada de Vladimir Putin na União Europeia.
https://www.politico.eu/article/kremlin-russia-hungary-viktor-orban-oil-gazprom-media-gabor-kubatov-fidesz-party/
https://www.dw.com/en/vladimir-putin-and-viktor-orbans-special-relationship/a-45512712
https://edition.cnn.com/2024/01/28/europe/orban-hungary-eu-unity-ukraine-russia-intl-cmd/index.html
Orbán é indiscutivelmente uma quinta-coluna na União Europeia e na Otan, obstruindo há anos, com o apoio de Putin, os esforços do Ocidente para conter Moscou.
Marine Le Pen é outra figura próxima de Putin.
Em 2023, um inquérito multipartidário produzido pelo parlamento francês – que tomou seis meses e mais de 50 audiências para ser finalizado – concluiu que o Rassemblement National, de Le Pen, serviu nos últimos anos como um “canal de comunicação” para o Kremlin. O inquérito diz que as posições políticas de Le Pen ecoam a “linguagem oficial do regime de Putin”.
https://www.france24.com/en/france/20230603-le-pen-s-far-right-served-as-mouthpiece-for-the-kremlin-says-french-parliamentary-report
Em 2014, o seu partido recebeu um empréstimo milionário (de 9,4 milhões de euros) de um banco russo para financiar a campanha para as eleições regionais de 2015 – algo que, segundo Le Pen, só aconteceu porque nenhuma entidade europeia queria emprestar o dinheiro.
https://www.euractiv.com/section/politics/news/le-pens-party-claims-to-have-repaid-russian-loan/
Em 2017, às vésperas das eleições presidenciais francesas, Le Pen, candidata à presidente, viajou a Moscou para se reunir com Vladimir Putin. Na época, ela se vangloriou do apoio que recebeu dele à sua candidatura.
https://edition.cnn.com/2017/03/24/europe/putin-le-pen-kremlin/index.html
Desde a invasão da Rússia à Ucrânia, Le Pen vem fingindo moderar os seus discursos em relação a Moscou como parte de uma estratégia eleitoral – do contrário, seria engolida pela opinião pública francesa. Mas a relação do seu partido com Moscou permanece inabalada.
Nesse mês, às vésperas do 80º aniversário do Dia D, Sébastien Chenu, o vice-presidente do Rassemblement National, lamentou que Putin não tivesse sido convidado para o evento.
https://x.com/dimpolitique/status/1797250335150317995?s=46
Em maio, Le Pen criticou a postura crítica de Macron contra Putin.
https://www.trt.net.tr/portuguese/europa/2024/05/31/marine-le-pen-presidente-macron-pretende-que-a-franca-entre-em-guerra-com-a-russia-2146929
Há dois anos, ela já havia dito que as sanções contra a Rússia “não têm outro propósito senão fazer o povo da Europa sofrer”. E no ano passado, chamou de “irresponsáveis” as entregas francesas de armas à Ucrânia.
https://www.politico.eu/article/french-far-right-marine-le-pen-cabal-after-new-report-on-russian-ties/
Assim como ocorre com outros movimentos de extrema-direita, o Rassemblement National, de Le Pen, é o porta-voz do Kremlin na França.
https://www.washingtonpost.com/world/2023/12/30/france-russia-interference-far-right/
Ok, mas como definir o que é extrema-direita? E por que esse grupo é tão próximo da Rússia e da China?
Antes de mais nada: é verdade que figuras influentes do debate político brasileiro – sobretudo no campo da esquerda e nas colunas de opinião da imprensa – costumam jogar qualquer posição conservadora para o campo do extremismo fascista, buscando deslegitimar a direita política em nome de uma falsa proteção à democracia, como se nenhuma posição conservadora fosse democraticamente válida (o que é, por si só, uma postura antidemocrática).
Mas se há um oportunismo à esquerda para julgar tudo que há de ruim no universo político como ação de uma extrema-direita fantasiosa, também há um constante estado de negação à direita (sobretudo no Brasil) para fingir que a extrema-direita não existe.
De fato, nem tudo é extrema-direita. Pelo contrário. Nesse momento, a direita e a centro-direita governam Reino Unido, Suécia, Portugal, Finlândia e inúmeros outros países da Europa. Em 2024, há mais países europeus governados por conservadores do que por progressistas e socialistas. Ninguém chama esses governos de extremistas. Mas isso não significa que não haja lideranças autoritárias à direita na Europa.
O que difere a direita da extrema-direita?
Considere a história recente da direita americana.
Desde a década de 1950 – e especialmente desde a eleição de Ronald Reagan em 1980 – os conservadores americanos têm aderido a um consenso de quatro princípios: 1) livre mercado, 2) antitotalitarismo, 3) defesa de valores cristãos e 4) governo limitado.
Por décadas, o Partido Republicano sustentou uma visão internacional muito clara: a promoção da segurança e do poder econômico dos Estados Unidos através da construção do exército mais poderoso do mundo, da cooperação com aliados para viabilizar interesses em comum e de um aumento do poder de Washington nas instituições internacionais (quase todas construídas pelos próprios americanos).
Por décadas, isso significou a defesa do livre comércio, a promoção do Estado de direito na política de imigração e a oposição ao autoritarismo (sobretudo quando os autocratas desafiavam diretamente os interesses americanos).
Como os Estados Unidos foram o principal vetor ideológico do Ocidente na segunda metade do século 20, estes foram os preceitos que estiveram ligados à direita política mundo afora nas últimas décadas.
Mas isso já não é mais verdade.
Nesse momento, inúmeros figurões conservadores americanos enxergam a Rússia como a grande defensora do mundo livre, e não os Estados Unidos. Para a direita americana, o livre comércio já não é mais tão popular quanto o protecionismo. O desejo de projetar o poder americano no mundo foi suplantado por um isolacionismo que enxerga qualquer integração entre os povos como um “globalismo” arquitetado por vilões de desenho animado. E autocratas declaradamente antiamericanos, como Putin, são exaltados nos mesmos bolsões ideológicos conservadores que juram trabalhar dia e noite para proteger os valores ocidentais.
Hoje, na essência, a direita americana é muito mais parecida com a extrema-direita europeia que com o partido de Lincoln e Reagan.
Mas o que é a extrema-direita europeia?
A filosofia que rege a visão da extrema-direita é conhecida como organicismo.
O organicismo é a ideia de que toda sociedade funciona como um ser vivo – um organismo completo, organizado e homogêneo.
Na Europa, a extrema-direita é o grupo político mais avesso à livre imigração e aos fóruns internacionais (como a ONU e a União Europeia). O grupo rejeita esses princípios – e qualquer forma de universalismo – porque está interessado em proteger a sociedade de influências externas (consideradas “estranhas” e até “doentias” para o corpo social).
Essa rejeição neurótica à influência externa não é parte da tradição do pensamento político conservador. Mas sempre esteve presente na extrema-direita (basta lembrarmos a história dos judeus na Europa no século 20).
Direita e extrema-direita também divergem na definição de nacionalismo.
Para a direita, o nacionalismo é uma ferramenta ideológica de promoção da soberania, do orgulho e dos interesses nacionais, comprometido com o convívio harmônico com a comunidade internacional.
Para a extrema-direita, o nacionalismo é uma ferramenta de controle político e social para construir uma pureza nacional hostil à influência estrangeira.
A diferença não é pequena.
Em linhas gerais:
1) o principal adversário da extrema-direita não é a extrema-esquerda, mas o globalismo e o multiculturalismo (leia-se: políticas que enfatizam a cooperação internacional e a mistura de culturas e identidades);
2) a extrema-direita está disposta a apoiar partidos e governos autoritários, inclusive de extrema-esquerda, para enfrentar o globalismo e o multiculturalismo;
3) a principal bandeira da extrema-direita europeia é o eurocentrismo – a rejeição à integração da Europa; e
4) a extrema-direita é cética em relação a qualquer organismo internacional (ONU, FMI, Banco Mundial, etc).
O problema dessa identidade isolacionista é que a ênfase na harmonia e na ordem organicista é um vetor de governos autoritários, onde a violência política é encarada como um mal necessário para manter a integridade, a pureza e a saúde do “organismo” social contaminado.
Quando Trump disse, em 2023, que muitos imigrantes alcançavam os Estados Unidos trazendo “doenças” e “contaminando o sangue americano”, estava expressando genuinamente a sua concepção racialista de construção de nação.
https://nbcnews.com/politics/2024-election/trump-says-immigrants-are-poisoning-blood-country-biden-campaign-liken-rcna130141
A extrema-direita justifica essa postura fingindo que não é contrária à imigração, mas à imigração ilegal e o radicalismo islâmico. O problema é que líderes de extrema-direita têm um farto histórico de declarações racistas em defesa de uma unidade nacional étnica. A justificativa não condiz com o mundo real.
Nas eleições desse final de semana para o Parlamento Europeu, o Alternative für Deutschland ficou em primeiro lugar no leste da Alemanha.
Não é uma coincidência que o partido seja tão popular numa região com décadas de passado autoritário (seja com o nazismo ou o comunismo), com muito menos imigrantes que a parte ocidental do país.
Quase 70% dos alemães que moram no leste da Alemanha dizem que os estrangeiros – qualquer estrangeiro, de qualquer nacionalidade – só se mudam para a Alemanha para explorar o Estado de bem-estar social; e quase um em cada três diz que a influência dos judeus é grande demais no país.
https://www.dw.com/en/half-of-eastern-germans-want-authoritarian-rule/a-66068519
Quase 1/4 dos entrevistados também diz que o nacional-socialismo tinha o seu lado bom, e 33% dos entrevistados concordam com a afirmação: “deveríamos ter um líder que governe a Alemanha com mão forte para o bem de todos”.
A pesquisa identificou a presença de uma “mentalidade conspiratória” generalizada (muito comum entre os eleitores de extrema-direita e de partidos populistas) e o desejo de um “Estado autoritário”.
Outra característica que diferencia a extrema-direita da direita é o uso do populismo.
Políticos de direita costumam adotar discursos mais moderados e pragmáticos porque o conservadorismo, em essência, valoriza a ordem e a estabilidade institucional.
A direita faz parte do establishment político do Ocidente.
Historicamente, partidos de direita defendem a importância das instituições democráticas e do Estado de direito (sobretudo nos países desenvolvidos). Historicamente, na contramão, a extrema-direita adota um discurso anti-establishment, se posicionando como a única voz genuína dos interesses da população contra as elites políticas, econômicas e culturais, menosprezando as outras identidades políticas.
A extrema-direita recorre ao populismo para mobilizar sentimentos de insatisfação popular contra os seus inimigos (imigrantes, minorias, elites políticas e culturais, etc), apresentando soluções simplistas e autoritárias para proteger a pureza do organismo social (leia-se: a manutenção da sociedade fechada). E é tão boçal que, com frequência, acusa partidos tradicionais de direita de serem, na verdade, de esquerda, como se ela – longe de representar uma posição extrema – fosse, de fato, a única posição genuína de direita.
Da mesma forma, ao contrário dos políticos de direita – que historicamente defendem o liberalismo econômico – políticos de extrema-direita levantam bandeiras protecionistas, supostamente em defesa das classes mais pobres.
Nos Estados Unidos, esse grupo (da ala trumpista do Partido Republicano) é conhecido como populistas “de colarinho azul”.
“Colarinho azul” (do inglês “blue-collar”) faz referência aos operários que desempenham trabalhos que exigem esforço físico. No contexto americano, a expressão é usada para descrever os trabalhadores de setores como manufatura, construção, mineração e manutenção, famosos por usarem uniformes azuis.
Os populistas de colarinho azul, como Trump, prometem defender os interesses desses trabalhadores e entendem que os imigrantes – não apenas os ilegais – ameaçam a estabilidade das suas famílias. Trump foi eleito, em 2016, graças ao apoio desses trabalhadores, no Rust Belt americano – um grupo de eleitores altamente ressentido e conspiracionista.
O ressentimento, aliás, é uma arma poderosa da extrema-direita.
Se na primeira metade do século 20, a extrema-direita alemã explorava o ressentimento generalizado no país pela derrota na Primeira Guerra Mundial, a extrema-direita alemã deste século alcança bons índices de popularidade no leste do país explorando o ressentimento pós-reunificação.
A ampla maioria dos alemães do leste não se sentem inteiramente integrados à Alemanha e entendem que preenchem a parte perdedora da reunificação (todos os indicadores da região estão bem abaixo da parte ocidental do país).
Nos territórios da extinta Alemanha Oriental há um sentimento generalizado anti-Ocidente, anti-União Europeia e anti-Estados Unidos, com uma população altamente ressentida e vulnerável aos discursos populistas do Alternative für Deutschland.
Se a direita alemã pretende conservar as políticas que transformaram a Alemanha num dos países mais bem sucedidos da Terra, o Alternative für Deutschland quer literalmente uma Alternativa para a Alemanha, como se a maior economia da Europa precisasse da extrema-direita para se tornar um país respeitável.
A presunção não surpreendente. A extrema-direita prospera mediante a interpretação de que a sociedade vive num estado de decadência projetado pelas elites dominantes – forasteiras e artificiais (como os judeus no passado) – e a promessa de que os membros da própria extrema-direita são uma elite natural perspicaz, comprometida com a missão redentora de salvar a sociedade da sua destruição e devolver o país à grandeza de um passado idílico inventado, quando os imigrantes ainda não haviam dado as caras e as minorias viviam presas a um silêncio clandestino.
Por que a Rússia e a China mantém um vínculo umbilical com a extrema-direita?
1) Porque Moscou e Pequim são os maiores interessados no processo de isolamento que a extrema-direita promove no Ocidente. Quanto mais frágil for a aliança dos países ocidentais, e mais isolada estiver a Europa e os Estados Unidos, distante dos fóruns internacionais, melhor para Moscou e Pequim. Quanto maior for a rejeição popular à União Europeia e à OTAN, melhores são as condições de russos e chineses projetarem os seus poderes.
2) Porque Moscou e Pequim são os maiores interessados no processo de imbecilização que a extrema-direita promove no Ocidente. Se no passado, os eleitores conservadores debatiam as grandes questões da humanidade, dando um peso importante à influência da geopolítica e da economia na vida cotidiana, hoje preferem combater a “cultura woke” dedicando longos discursos sobre temas exóticos repetidíssimos, como banheiro trans, feminismo e a produção cinematográfica americana, presos a uma guerrinha cultural de hashtags nas redes sociais. Para boa parte dos eleitores desses grupos políticos, a Parada Gay é uma ameaça mais perigosa à sociedade ocidental que o Kremlin.
3) Porque Moscou e Pequim são os maiores interessados no processo de deterioração que a extrema-direita promove nas instituições políticas do Ocidente. A extrema-direita vive num profundo estado de mau humor em rejeição à imprensa, à classe artística, à democracia, às minorias, à livre imigração, às empresas, ao sistema educacional, à justiça e a qualquer valor da sociedade aberta. E quanto mais popular for essa sensação generalizada de mal estar com os valores da sociedade aberta – e mais polarizada for a sociedade – melhor para Moscou e Pequim.
4) Porque Moscou e Pequim são os maiores interessados no processo de banalização dos direitos humanos que a extrema-direita promove no Ocidente. E quanto menos popular for a defesa dos direitos humanos no Ocidente, menor será a rejeição nos organismos internacionais a Moscou e Pequim, dois dos maiores violadores de direitos humanos da Terra.
5) Porque Moscou e Pequim são os maiores interessados no processo de disputa que a extrema-direita promove contra a própria direita no Ocidente. Nos últimos cem anos, os eleitores conservadores representaram o maior grupo adversário de russos e chineses no mundo. Quanto maior é a influência de Moscou e Pequim nas lideranças políticas que alcançam esses eleitores, menor será a resistência ocidental contra Rússia e China.
Por que a extrema-direita mantém um vínculo umbilical com Rússia e China?
1) Porque Moscou e Pequim financiam as suas operações.
2) Porque a extrema-direita não é coerente com a tradição do pensamento político conservador.
3) Porque esses grupos – lotados de eleitores ressentidos – têm fascínio pelo autoritarismo como uma expressão de imposição de um respeito que eles não encontram em outras áreas da vida.
4) Porque Moscou e Pequim, ao contrário de Washington, prometem respeitar o isolamento que esses grupos almejam em seus países, protegendo a sociedade da ameaça do “globalismo” e da “cultura woke”.
5) Porque, em muitos grupos, já não é mais possível separar o que é propaganda russa do que é ideologia de extrema-direita.
Foi o conservador Ronald Reagan, num discurso definidor da Guerra Fria, em 1983, quem disse que a Rússia era o Império do Mal. Segundo ele:
https://voicesofdemocracy.umd.edu/reagan-evil-empire-speech-text/
“O maior mal não é feito agora naqueles 'covis de crime' sórdidos que Dickens adorava pintar. Não é nem mesmo feito em campos de concentração e campos de trabalho forçado. Nesses lugares vemos o seu resultado final, mas ele é concebido e ordenado; movido, apoiado, realizado e registrado em escritórios limpos, acarpetados, aquecidos e bem iluminados, por homens tranquilos com colarinhos brancos e unhas cortadas e bochechas bem barbeadas que não precisam levantar a voz.”
“Bem, porque esses ‘homens tranquilos’ não ‘levantam a voz’, porque às vezes falam em tons suaves de fraternidade e paz, porque, como outros ditadores antes deles, estão sempre fazendo a sua ‘última demanda territorial’, alguns nos fariam aceitá-los em sua palavra e nos acomodar aos seus impulsos agressivos. Mas, se a história ensina algo, ensina que apaziguamento simplista ou pensamento ilusório sobre os nossos adversários é uma tolice. Isso significa a traição do nosso passado, o desperdício da nossa liberdade.”
Seria cômico se não fosse trágico. Nem Ronald Reagan poderia imaginar do que os russos eram capazes.
Como não é segredo para qualquer pessoa minimamente informada, há um século, Moscou exerce influência sobre diferentes movimentos e partidos políticos à esquerda. Mas essa não é a notícia de última hora.
A grande manchete política da nossa geração é o exército de idiotas úteis que o Kremlin conseguiu formar do outro lado do espectro político.
O estrago que a Rússia fez na direita precisará de décadas para ser reparado.
Parte do que escrevi aqui, já havia dito para os assinantes do Spotniks nos últimos meses.
Todas as semanas, escrevo sobre Rússia, China e Estados Unidos no Spotniks, e envio esse conteúdo por email aos assinantes.
Quer ler mais sobre esses assuntos?
https://spotniks.com/assinar/
(Rodrigo da Silva)
Fonte: https://x.com/rodrigodasilva/status/1801020407618679032
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Data da postagem: 01/07/2024, 18:07

A Klu Klux Klan, skinheads se encaixam nessa? Como?
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Data da postagem: 23/09/2024, 01:15

Agnoscetico
A Klu Klux Klan, skinheads se encaixam nessa? Como?
1. Sim, alguns.
2. Pelo menos os que declaram apoio e/ou afinidade com Donald Trump (coisa comum nas lideranças da KKK), um comparsa de Putin, se encaixam. A maneira como isso pode acontecer sem entrar em contradição já foi explicada no artigo acima - que é mais um reforço da Teoria da Ferradura.
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Data da postagem: 23/09/2024, 11:04

HuxleyAgnoscetico
A Klu Klux Klan, skinheads se encaixam nessa? Como?
1. Sim, alguns.
2. Pelo menos os que declaram apoio e/ou afinidade com Donald Trump (coisa comum nas lideranças da KKK), um comparsa de Putin, se encaixam. A maneira como isso pode acontecer sem entrar em contradição já foi explicada no artigo acima - que é mais um reforço da Teoria da Ferradura.
1. Alguns quais?
2. Apoiar Trump não é suficiente pra determinar que um grupo supremacista seja comunista. Se for pra usar essa lógica, então sionistas apoiam Trump (pois esse apoia sionistas, além ter uma filha casada com judeu) logo seriam comunistas / socialistas / putinistas também?
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Data da postagem: 24/09/2024, 02:20

AgnosceticoHuxleyAgnoscetico
A Klu Klux Klan, skinheads se encaixam nessa? Como?
1. Sim, alguns.
2. Pelo menos os que declaram apoio e/ou afinidade com Donald Trump (coisa comum nas lideranças da KKK), um comparsa de Putin, se encaixam. A maneira como isso pode acontecer sem entrar em contradição já foi explicada no artigo acima - que é mais um reforço da Teoria da Ferradura.
1. Alguns quais?
2. Apoiar Trump não é suficiente pra determinar que um grupo supremacista seja comunista. Se for pra usar essa lógica, então sionistas apoiam Trump (pois esse apoia sionistas, além ter uma filha casada com judeu) logo seriam comunistas / socialistas / putinistas também?
1. Qualquer um que diga que Trump é representativo do pensamento deles: não precisa dar nomes, basta consultar o Google. Se quiser um exemplo: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/19/internacional/1503174397_882413.html
2. Eu não disse “meramente dar um apoio a Trump”. Eu disse “os que declaram apoio e/ou afinidade com Donald Trump”. A afinidade com a agenda política de Trump implica necessariamente ser socialista de direita. É claro que os socialistas de esquerda e os extremistas da direita de que este tópico trata têm diferenças ideológicas, mas na práxis eles são semelhantes.
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Data da postagem: 24/09/2024, 19:31
O mais importante para entender o que estão chamando de extrema-direita, e que chamo de "direita alternativa" ou de "fascismo sob outro nome" é que ela não é definida pela posição econômica, mas sim no que refere-se à identidade do indivíduo: autoritarianismo, nacionalismo, e oposição a qualquer identidade que não seja a de "troço pertencente àquele país".
Daí fica fácil de entender conexões políticas "estranhas" com o Ursinho Pooh (Xi Jinping, China) - não importa se ele e seu partido são pró-comunismo, são autoritários e a direita alternativa bate palminha para autoritários. Vide a obsessão do Burrito Laranja (Donald Trump, EUA) com "homens fortes", ou o quanto ele baba ovo para o Putler.
O Huxley mencionou a hipótese da ferradura (extrema esquerda e direita parecendo uma com a outra); mas assim que você desassocia os eixos econômico e de identidade, a ferradura desaparece. Mesmo porque comunistas historica- e contemporaneamente estão ligados a causas sociais, é só ir a qualquer comunidade de comunistas que você vê falando de direitos trans, papeis de gênero, etc. (E se alguém quiser cavoco texto do Trotskij falando disso.) Coisas que essa extrema-direita odeia.
Falando da Lega Nord em específico: é um partido que saiu dos trilhos, inicialmente lutava pela independência da população vivendo na parte não-peninsular do que é controlado pela Itália. Hoje em dia acho justo tacá-la junto da AfD como merda estessa, mas o foco de ambas era, historicamente, beeeem diferente. (A AfD é nacionalista desde que foi fundada em 2013.)
Daí fica fácil de entender conexões políticas "estranhas" com o Ursinho Pooh (Xi Jinping, China) - não importa se ele e seu partido são pró-comunismo, são autoritários e a direita alternativa bate palminha para autoritários. Vide a obsessão do Burrito Laranja (Donald Trump, EUA) com "homens fortes", ou o quanto ele baba ovo para o Putler.
O Huxley mencionou a hipótese da ferradura (extrema esquerda e direita parecendo uma com a outra); mas assim que você desassocia os eixos econômico e de identidade, a ferradura desaparece. Mesmo porque comunistas historica- e contemporaneamente estão ligados a causas sociais, é só ir a qualquer comunidade de comunistas que você vê falando de direitos trans, papeis de gênero, etc. (E se alguém quiser cavoco texto do Trotskij falando disso.) Coisas que essa extrema-direita odeia.
Falando da Lega Nord em específico: é um partido que saiu dos trilhos, inicialmente lutava pela independência da população vivendo na parte não-peninsular do que é controlado pela Itália. Hoje em dia acho justo tacá-la junto da AfD como merda estessa, mas o foco de ambas era, historicamente, beeeem diferente. (A AfD é nacionalista desde que foi fundada em 2013.)
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Data da postagem: 11/10/2024, 07:54

eremita
(E se alguém quiser cavoco texto do Trotskij falando disso.) Coisas que essa extrema-direita odeia.
Se servir pra deixar claro sobre essa tentativa forçada de querer de tudo que não gosta de socialismo (seja de direita e esquerda) que o Huxley ta fazendo, pode trazere material do Trostky, Lenin, etc.
Pra mim ficar definindo pessoas em caixas, como se seguissem um pacote ideológico, costuma fracassar, já que, segundo Huxley, o que importa é a práxis / prática.
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Data da postagem: 12/10/2024, 19:36
Eu sempre achei muito estranha essa ligação do Donald Trump com o Putin, e agora que soube dos vínculos dos partidos de extrema-direita europeus com Rússia e China, isso só torna as coisas ainda mais estranhas. O que acontece é que os chamados extrema-direita não são realmente conservadores, mas sim tradicionalistas. Ou seja, tradicionalistas rejeitam o mundo moderno e certas tendências sociais como migrações em massa, multiculturalismo e liberalismo social. Eu acho que a Europa deveria rumar para o tradicionalismo, já que todo esse liberalismo de lá só está causando problemas e revoltas. Pra ser sincero, essas ondas de liberalismo social mais causaram problemas do que alguma solução, sobretudo com o advento das causas identitárias e a partir daí começou a surgir toda uma cisão social problemática e artificial, o que não havia tanto antigamente (exceto em relação a sistema de castas, escravidão ou classes sociais). É por causa desse liberalismo social desenfreado liderado por movimentos sociais de esquerda que hoje temos gerações mimadas, imediatistas e materialistas, sem perspectiva de realidade ou futuro. Pode ser que esse vínculo dos partidos de extrema-direita europeus com o Putin e Xi Jinping é que tanto a Rússia quanto a China são países culturalmente tradicionalistas e seus líderes idem, e como esses partidos também são desse mesmo viés tradicionalista, eles naturalmente acabam conflitando com o establishment ocidental progressista, que é liberal tanto no dinheiro quanto no comportamento social.
No caso da Europa, seria mais legítimo se a extrema-direita fosse composta por movimentos monarquistas locais, sem envolvimento com potências alheias à Europa. Por exemplo, se tivesse um movimento para restaurar o Sagrado Império Romano, liderado pela monarquia de Liechtenstein, que seria o que restou daquele império que acabou após a invasão de Napoleão em terras germânicas. Ou se existissem grupos de nórdicos que quisessem fundir toda a Escandinávia em um só país, formando um novo país pagão liderado por vikings modernos. Coisas do tipo. Isso sim seria a extrema-direita, a restauração dos impérios europeus. Outro exemplo de extrema-direita são grupos de neonazistas e fascistas espalhados pela Europa, como a Golden Dawn na Grécia.
Aqui no Brasil, o movimento monarquista seria a extrema-direita (por ser tradicionalista e imperial), e não Bolsonaro ou gente ligada a ele como o Nikolas, que são conservadores em comportamento social.
Pra mim o único partido de extrema-direita no Brasil seria o PRTB, do Pablo Marçal, assim como grupos de integralistas e alguns neonazistas malucos.
Bolsonaro e seu pessoal não é extrema-direita como os progressistas gostam de pintar, mas são só direita conservadora mesmo, não mais do que isso.
No meu caso, eu tenho um viés um tanto ambíguo. No sentido de dinheiro e finanças, sou mais liberal. Mas no sentido social e dos valores, sou tradicionalista.
No caso da Europa, seria mais legítimo se a extrema-direita fosse composta por movimentos monarquistas locais, sem envolvimento com potências alheias à Europa. Por exemplo, se tivesse um movimento para restaurar o Sagrado Império Romano, liderado pela monarquia de Liechtenstein, que seria o que restou daquele império que acabou após a invasão de Napoleão em terras germânicas. Ou se existissem grupos de nórdicos que quisessem fundir toda a Escandinávia em um só país, formando um novo país pagão liderado por vikings modernos. Coisas do tipo. Isso sim seria a extrema-direita, a restauração dos impérios europeus. Outro exemplo de extrema-direita são grupos de neonazistas e fascistas espalhados pela Europa, como a Golden Dawn na Grécia.
Aqui no Brasil, o movimento monarquista seria a extrema-direita (por ser tradicionalista e imperial), e não Bolsonaro ou gente ligada a ele como o Nikolas, que são conservadores em comportamento social.
Pra mim o único partido de extrema-direita no Brasil seria o PRTB, do Pablo Marçal, assim como grupos de integralistas e alguns neonazistas malucos.
Bolsonaro e seu pessoal não é extrema-direita como os progressistas gostam de pintar, mas são só direita conservadora mesmo, não mais do que isso.
No meu caso, eu tenho um viés um tanto ambíguo. No sentido de dinheiro e finanças, sou mais liberal. Mas no sentido social e dos valores, sou tradicionalista.
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Data da postagem: 28/10/2024, 15:17
Na verdade eu penso que esse modernismo do século 21 só fez as coisas piorarem. Isso só tornou as pessoas mais egocêntricas, imediatistas, mesquinhas e com menor noção de realidade, fora uma maior dependência dos pais ou dos governos. O mundo tende a decair cada vez mais, assim como aconteceu na década de 20 e 30 entre as duas guerras mundiais. Acho que é questão de tempo até haver uma nova guerra mundial, em parte causada pelo declínio cultural. O sintoma disso é justamente a ascensão dos movimentos de extrema-direita, que apesar de defenderem o tradicionalismo e sociedades mais fechadas ao mundo externo, ainda assim têm em suas entranhas a essência do socialismo, já que esses movimentos também tendem ao coletivismo, que é uma característica marcante da ideologia socialista. Portanto, a grande maioria desses movimentos de extrema-direita são socialistas tradicionalistas, e não progressistas, liberais ou capitalistas. Os únicos que não seriam socialistas são os movimentos monarquistas modernos, ainda que sejam minoria.
Vejam, antes da segunda guerra mundial, houve o surgimento do fascismo e do nazismo, da extrema-direita como conhecemos. Agora com o neofascismo e neonazismo, isso é sinal de uma nova grande guerra que está por vir. Não que esses movimentos sejam a causa de uma nova guerra mundial, como foi nos anos 30 e 40, mas isso seria um indicador econômico e social de que está havendo uma decadência social. A medida que o mundo fica cada vez mais polarizado, isso indica cada vez mais um estado de conturbação social pelo mundo, o que pode indicar um novo conflito de grande escala iminente, como é o caso da relação entre China e Estados Unidos. A meu ver, a causa de uma nova guerra mundial seria algo envolvendo a China e Estados Unidos, possivelmente Taiwan. O Irã também poderia ser outra causa, mas desta vez envolvendo a Rússia, assim como caso a OTAN resolva se envolver diretamente no conflito entre Rússia e Ucrânia, aí sim haverá mesmo uma escalada de guerra.
Atualmente temos 3 cenários em que uma nova grande guerra poderá acontecer: Ucrânia, Irã e Taiwan.
Não creio que desta vez uma nova guerra aconteça por causa da extrema-direita.
Vejam, antes da segunda guerra mundial, houve o surgimento do fascismo e do nazismo, da extrema-direita como conhecemos. Agora com o neofascismo e neonazismo, isso é sinal de uma nova grande guerra que está por vir. Não que esses movimentos sejam a causa de uma nova guerra mundial, como foi nos anos 30 e 40, mas isso seria um indicador econômico e social de que está havendo uma decadência social. A medida que o mundo fica cada vez mais polarizado, isso indica cada vez mais um estado de conturbação social pelo mundo, o que pode indicar um novo conflito de grande escala iminente, como é o caso da relação entre China e Estados Unidos. A meu ver, a causa de uma nova guerra mundial seria algo envolvendo a China e Estados Unidos, possivelmente Taiwan. O Irã também poderia ser outra causa, mas desta vez envolvendo a Rússia, assim como caso a OTAN resolva se envolver diretamente no conflito entre Rússia e Ucrânia, aí sim haverá mesmo uma escalada de guerra.
Atualmente temos 3 cenários em que uma nova grande guerra poderá acontecer: Ucrânia, Irã e Taiwan.
Não creio que desta vez uma nova guerra aconteça por causa da extrema-direita.
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Data da postagem: 28/10/2024, 18:01
A chamada "extrema-direita" não tem nada de extremista. É a mídia que os chamam assim. A única coisa que os distingue é querer acabar a imigração, e só. Para a mídia e a classe política tradicional, é extremismo querer cuidar do próprio lar e impedir a entrada de invasores. E o mais revoltante é gastar dinheiro público com esses imigrantes. Então, nos países ricos, a "extrema-direita" é o movimento mais lógico e benéfico para os cidadãos de lá.
A "colaboração" com Putin é simplesmente não interferir na guerra. Não usar dinheiro público para ajudar a Ucrânia e não fazer o povo sofrer sem gás por guerrinha em que o povo não dá a mínima. O "democráticos" da política tradicional forçam o povo a sofrer com a guerra.
1) Multiculturalismo é um problema porque destrói a cultura tradicional e as relações sociais cotidianas. Pessoas vivem em harmonia quando compartilham a mesma cultura. No multiculturalismo, a consequência é o domínio de uma cultura mais forte ou o individualismo.
2) Até parece que o Ocidente não é autoritário também. Só muda a roupagem.
3, 4) O que está em questão é a soberania nacional, isto é, que as decisões políticas sejam feitas pelo próprio país e não por órgãos externos como ONU e UE. Não são esses órgãos que devem definir o que é certo e errado. A ONU tem a agenda 2030, e partes do conteúdo é rejeitado por muita gente. Não cabe a órgãos externos decidir que ela boa e deve ser adotada. Isso é mentalidade colonialista.
Isso que é o bom. É só ver países pequenos de etnia única e sem imigrantes.
Desse jeito, podemos dizer que todos os governantes eleitos em eleições no leste asiático são de extrema-direita.
Não vi nada na "extrema-direita" querendo acabar com a democracia. Alguma proposta de político relevante nesse sentido?
Dese que me entendo por gente, essa sempre foi a postura da esquerda. Antigamente a direita era mais morta, mas agora acordou. A esquerda continua fazendo a mesma coisa.
Eles não são contra liberalismo econômico interno. Eles são contra entreguismo e a exploração pelo capital estrangeiro (neocolonialismo).
Economia social de mercado, proposta por Ludwig Erhard após a guerra ter destruído a Alemanha, foi uma das políticas usadas no sucesso da Alemanha.
Tem inspiração na Doutrina Social da Igreja Católica.
Era investir nas pessoas, incluindo educação qualificadora, para produzir sem criar parasitismo e sem regulamentação pesada, mantendo o livre mercado, mas com anti-truste.
São recentes na Alemanha as ondas de imigrantes, o excesso de regulamentação, políticas iliberais de gênero, leis trabalhistas pesadas, a destruição do cristianismo. Tudo isso que a "extrema-direita" rejeita não estava presente quando a Alemanha se desenvolveu.
O salário mínimo obrigatório foi aprovado recentemente para alemães jovens ficarem desempregados e virar nem-nem enquanto imigrantes ocupam essas vagas como informais.
Válido só para política externa. Não aceitariam intromissão dentro do país. E Rússia e China não tem a cultura de se intrometer em assuntos internos.
Está na hora do Ocidente ser capaz de manter a riqueza sem ter que roubar de países de terceiro mundo.
Quem debatia as grandes questões da humanidade no passado era a esquerda. A direita antigamente era mosca morta. Depois a esquerda parou de tratar de coisas sérias e inventou a cultura woke. A direita apenas está combatendo essa insanidade. A direita tradicional latino-americana e norte-americana continuam contra essa imbecilidade, mas na Europa a "direita não extrema" já abraçou o wokismo enquanto os que não abraçaram foram taxados de "extrema-direita", mesmo sem mudar de opinião.
Porque esses itens acabam com a liberdade das pessoas.
A imprensa é controlada por plutocratas e manipula a opinião pública.
A classe artística está com viés ideológico e tem parasitas com dinheiro pública.
Essa "democracia" não representa o povo e é controlada pelo dinheiro. (Isso sou eu que estou falando, mas não vejo nada deles a respeito de democracia)
Minorias não devem sobrepor à maioria.
Desde quando livre imigração é bom?
O que eles falam sobre as empresas?
O sistema educacional, do jeito que foi projetado no sacro-império germano, sempre foi usado como forma de doutrinação. Mas hoje está pior.
Justiça para quem?
O que chama de "sociedade aberta" é tão aberta que rejeita opiniões que vão contra os interesses dos mandantes.
Como podemos dizer que a opinião do establishment está certa se a situação da sociedade sempre foi muito ruim e continua assim?
Quais direitos humanos? Lista e exemplos? O que vejo é direito dos manos e direitos dos imigrantes acima dos nativos.
A guerra fria já acabou. Não há mais ameça comunista.
Ou o contrário: "gerações mimadas, imediatistas e materialistas, sem perspectiva de realidade ou futuro" criaram esse liberalismo social nojento.
Tempos fáceis criam homens fracos. Esses homens fracos não tem problema sério para se preocupar, então participam desse ridículo liberalismo social como guerreiros.
Isso também tem de "socialismo" por viver em abundância e achar que recursos do Estado ilimitados, por isso querem gastos públicos altos com problemas sociais numa época em que não precisa mais. Em outras palavras, a pobreza era muito maior antigamente e foi só ela diminuir significativamente que resolveram adotar gastos sociais, que não diminuem a pobreza mesmo assim após décadas.
A "colaboração" com Putin é simplesmente não interferir na guerra. Não usar dinheiro público para ajudar a Ucrânia e não fazer o povo sofrer sem gás por guerrinha em que o povo não dá a mínima. O "democráticos" da política tradicional forçam o povo a sofrer com a guerra.
1) o principal adversário da extrema-direita não é a extrema-esquerda, mas o globalismo e o multiculturalismo (leia-se: políticas que enfatizam a cooperação internacional e a mistura de culturas e identidades);
2) a extrema-direita está disposta a apoiar partidos e governos autoritários, inclusive de extrema-esquerda, para enfrentar o globalismo e o multiculturalismo;
3) a principal bandeira da extrema-direita europeia é o eurocentrismo – a rejeição à integração da Europa; e
4) a extrema-direita é cética em relação a qualquer organismo internacional (ONU, FMI, Banco Mundial, etc).
1) Multiculturalismo é um problema porque destrói a cultura tradicional e as relações sociais cotidianas. Pessoas vivem em harmonia quando compartilham a mesma cultura. No multiculturalismo, a consequência é o domínio de uma cultura mais forte ou o individualismo.
2) Até parece que o Ocidente não é autoritário também. Só muda a roupagem.
3, 4) O que está em questão é a soberania nacional, isto é, que as decisões políticas sejam feitas pelo próprio país e não por órgãos externos como ONU e UE. Não são esses órgãos que devem definir o que é certo e errado. A ONU tem a agenda 2030, e partes do conteúdo é rejeitado por muita gente. Não cabe a órgãos externos decidir que ela boa e deve ser adotada. Isso é mentalidade colonialista.
O problema é que líderes de extrema-direita têm um farto histórico de declarações racistas em defesa de uma unidade nacional étnica.
Isso que é o bom. É só ver países pequenos de etnia única e sem imigrantes.
Desse jeito, podemos dizer que todos os governantes eleitos em eleições no leste asiático são de extrema-direita.
Historicamente, partidos de direita defendem a importância das instituições democráticas e do Estado de direito (sobretudo nos países desenvolvidos).
Não vi nada na "extrema-direita" querendo acabar com a democracia. Alguma proposta de político relevante nesse sentido?
Historicamente, na contramão, a extrema-direita adota um discurso anti-establishment, se posicionando como a única voz genuína dos interesses da população contra as elites políticas, econômicas e culturais, menosprezando as outras identidades políticas.
O ressentimento, aliás, é uma arma poderosa da extrema-direita.
Dese que me entendo por gente, essa sempre foi a postura da esquerda. Antigamente a direita era mais morta, mas agora acordou. A esquerda continua fazendo a mesma coisa.
Da mesma forma, ao contrário dos políticos de direita – que historicamente defendem o liberalismo econômico – políticos de extrema-direita levantam bandeiras protecionistas, supostamente em defesa das classes mais pobres.
Eles não são contra liberalismo econômico interno. Eles são contra entreguismo e a exploração pelo capital estrangeiro (neocolonialismo).
Se a direita alemã pretende conservar as políticas que transformaram a Alemanha num dos países mais bem sucedidos da Terra, o Alternative für Deutschland quer literalmente uma Alternativa para a Alemanha, como se a maior economia da Europa precisasse da extrema-direita para se tornar um país respeitável.
Economia social de mercado, proposta por Ludwig Erhard após a guerra ter destruído a Alemanha, foi uma das políticas usadas no sucesso da Alemanha.
Tem inspiração na Doutrina Social da Igreja Católica.
Era investir nas pessoas, incluindo educação qualificadora, para produzir sem criar parasitismo e sem regulamentação pesada, mantendo o livre mercado, mas com anti-truste.
São recentes na Alemanha as ondas de imigrantes, o excesso de regulamentação, políticas iliberais de gênero, leis trabalhistas pesadas, a destruição do cristianismo. Tudo isso que a "extrema-direita" rejeita não estava presente quando a Alemanha se desenvolveu.
O salário mínimo obrigatório foi aprovado recentemente para alemães jovens ficarem desempregados e virar nem-nem enquanto imigrantes ocupam essas vagas como informais.
Por que a Rússia e a China mantém um vínculo umbilical com a extrema-direita?
Válido só para política externa. Não aceitariam intromissão dentro do país. E Rússia e China não tem a cultura de se intrometer em assuntos internos.
1) Porque Moscou e Pequim são os maiores interessados no processo de isolamento que a extrema-direita promove no Ocidente. Quanto mais frágil for a aliança dos países ocidentais, e mais isolada estiver a Europa e os Estados Unidos, distante dos fóruns internacionais, melhor para Moscou e Pequim. Quanto maior for a rejeição popular à União Europeia e à OTAN, melhores são as condições de russos e chineses projetarem os seus poderes.
Está na hora do Ocidente ser capaz de manter a riqueza sem ter que roubar de países de terceiro mundo.
2) Porque Moscou e Pequim são os maiores interessados no processo de imbecilização que a extrema-direita promove no Ocidente. Se no passado, os eleitores conservadores debatiam as grandes questões da humanidade, dando um peso importante à influência da geopolítica e da economia na vida cotidiana, hoje preferem combater a “cultura woke” dedicando longos discursos sobre temas exóticos repetidíssimos, como banheiro trans, feminismo e a produção cinematográfica americana, presos a uma guerrinha cultural de hashtags nas redes sociais. Para boa parte dos eleitores desses grupos políticos, a Parada Gay é uma ameaça mais perigosa à sociedade ocidental que o Kremlin.
Quem debatia as grandes questões da humanidade no passado era a esquerda. A direita antigamente era mosca morta. Depois a esquerda parou de tratar de coisas sérias e inventou a cultura woke. A direita apenas está combatendo essa insanidade. A direita tradicional latino-americana e norte-americana continuam contra essa imbecilidade, mas na Europa a "direita não extrema" já abraçou o wokismo enquanto os que não abraçaram foram taxados de "extrema-direita", mesmo sem mudar de opinião.
3) Porque Moscou e Pequim são os maiores interessados no processo de deterioração que a extrema-direita promove nas instituições políticas do Ocidente. A extrema-direita vive num profundo estado de mau humor em rejeição à imprensa, à classe artística, à democracia, às minorias, à livre imigração, às empresas, ao sistema educacional, à justiça e a qualquer valor da sociedade aberta. E quanto mais popular for essa sensação generalizada de mal estar com os valores da sociedade aberta – e mais polarizada for a sociedade – melhor para Moscou e Pequim.
Porque esses itens acabam com a liberdade das pessoas.
A imprensa é controlada por plutocratas e manipula a opinião pública.
A classe artística está com viés ideológico e tem parasitas com dinheiro pública.
Essa "democracia" não representa o povo e é controlada pelo dinheiro. (Isso sou eu que estou falando, mas não vejo nada deles a respeito de democracia)
Minorias não devem sobrepor à maioria.
Desde quando livre imigração é bom?
O que eles falam sobre as empresas?
O sistema educacional, do jeito que foi projetado no sacro-império germano, sempre foi usado como forma de doutrinação. Mas hoje está pior.
Justiça para quem?
O que chama de "sociedade aberta" é tão aberta que rejeita opiniões que vão contra os interesses dos mandantes.
Como podemos dizer que a opinião do establishment está certa se a situação da sociedade sempre foi muito ruim e continua assim?
4) Porque Moscou e Pequim são os maiores interessados no processo de banalização dos direitos humanos que a extrema-direita promove no Ocidente. E quanto menos popular for a defesa dos direitos humanos no Ocidente, menor será a rejeição nos organismos internacionais a Moscou e Pequim, dois dos maiores violadores de direitos humanos da Terra.
Quais direitos humanos? Lista e exemplos? O que vejo é direito dos manos e direitos dos imigrantes acima dos nativos.
5) Porque Moscou e Pequim são os maiores interessados no processo de disputa que a extrema-direita promove contra a própria direita no Ocidente. Nos últimos cem anos, os eleitores conservadores representaram o maior grupo adversário de russos e chineses no mundo. Quanto maior é a influência de Moscou e Pequim nas lideranças políticas que alcançam esses eleitores, menor será a resistência ocidental contra Rússia e China.
A guerra fria já acabou. Não há mais ameça comunista.
nukerÉ por causa desse liberalismo social desenfreado liderado por movimentos sociais de esquerda que hoje temos gerações mimadas, imediatistas e materialistas, sem perspectiva de realidade ou futuro.
Ou o contrário: "gerações mimadas, imediatistas e materialistas, sem perspectiva de realidade ou futuro" criaram esse liberalismo social nojento.
Tempos fáceis criam homens fracos. Esses homens fracos não tem problema sério para se preocupar, então participam desse ridículo liberalismo social como guerreiros.
Isso também tem de "socialismo" por viver em abundância e achar que recursos do Estado ilimitados, por isso querem gastos públicos altos com problemas sociais numa época em que não precisa mais. Em outras palavras, a pobreza era muito maior antigamente e foi só ela diminuir significativamente que resolveram adotar gastos sociais, que não diminuem a pobreza mesmo assim após décadas.
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Data da postagem: 28/10/2024, 22:40

A "colaboração" com Putin é simplesmente não interferir na guerra.
Afirmação descaradamente falsa que já foi amplamente desmentida pelo artigo inicial do tópico. Defender ferozmente a anexação russa da Crimeia, alimentar os separatistas beligerantes em Luhansk e Donetsk, exigir o apoio alemão ao envolvimento russo na Síria. Só aí dei três exemplos de que é escandalosamente falsa alegação de que "A colaboração (da extrema-direita europeia) com Putin é simplesmente não interferir na guerra (da Ucrânia)".
Não usar dinheiro público para ajudar a Ucrânia e não fazer o povo sofrer sem gás por guerrinha em que o povo não dá a mínima. O "democráticos" da política tradicional forçam o povo a sofrer com a guerra.
Mais afirmações mentirosas, como a de dizer que o povo europeu ocidental "não dá a mínima": https://www.dw.com/pt-br/pesquisa-em-dez-pa%C3%ADses-europeus-mostra-alta-no-apoio-a-kiev/a-65019888
Outra mentira é dizer que europeus ocidentais sofrerão sem gás por causa do apoio à Ucrânia, uma vez que a UE já se livrou rapidamente da dependência do gás russo: https://www.dw.com/pt-br/r%C3%BAssia-fez-gol-contra-ao-cortar-fornecimento-de-g%C3%A1s-%C3%A0-ue/a-66687059
1) Multiculturalismo é um problema porque destrói a cultura tradicional e as relações sociais cotidianas. Pessoas vivem em harmonia quando compartilham a mesma cultura. No multiculturalismo, a consequência é o domínio de uma cultura mais forte ou o individualismo.
O multiculturalismo é a sobrevivência e a convivência de múltiplas culturas tradicionais, coisa que existe no Ocidente, veja o caso dos Estados Unidos atuais, por exemplo. Quem defende o extermínio de culturas tradicionais são seitas fechadas que defendem o uniculturalismo, ou seja, as pocilgas totalitárias que praticam genocídio cultural: genocídio uigur da China xi-jinpinguiana em muçulmanos, genocídio cultural russo-putinista contra ucranianos em Donbass, genocídio cultural do Estado Islâmico contra os povos diferentes dominados, etc.
2) Até parece que o Ocidente não é autoritário também. Só muda a roupagem.
Quando apenas comparados às pocilgas totalitárias de que vejo gente passar pano, o que chamam de Ocidente é um céu de liberdade.
4) O que está em questão é a soberania nacional, isto é, que as decisões políticas sejam feitas pelo próprio país e não por órgãos externos como ONU e UE. Não são esses órgãos que devem definir o que é certo e errado. A ONU tem a agenda 2030, e partes do conteúdo é rejeitado por muita gente. Não cabe a órgãos externos decidir que ela boa e deve ser adotada. Isso é mentalidade colonialista.
É engraçado ver gente que defende ou faz vista grossa ao novo Pacto de Varsóvia de Putin defendendo soberania nacional. Diferentemente do novo Pacto de Varsóvia de Putin, a UE tem Princípio da Subsidiariedade e Estado-membro pode sair dela VOLUNTARIAMENTE (veja o caso do Brexit). E a OTAN e outros órgãos supranacionais são ainda menos intervencionistas em questões de soberania nacional.
Válido só para política externa. Não aceitariam intromissão dentro do país. E Rússia e China não tem a cultura de se intrometer em assuntos internos.
Afirmação escandalosamente falsa que já foi amplamente desmentida neste fórum diversas vezes:
https://clubeceticismo.com.br/viewtopic.php?p=37870#p37870
https://clubeceticismo.com.br/viewtopic.php?p=37757#p37757
https://clubeceticismo.com.br/viewtopic.php?p=32999#p32999
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Data da postagem: 29/10/2024, 09:20